Entre o básico e o maravilhoso: um ano de Caligo

Por Bia Machado

Quero trabalhar até quando não der mais para pensar, ou me mover. E quando não puder mais fazer essas coisas, quero estar entre pessoas queridas (amigos verdadeiros e família) e no meio de objetos preciosos (os livros, de preferência aqueles aos quais ajudei a publicar).

Olha eu aqui, finalmente trazendo um texto para a coluna semanal da Caligo.  E a “culpa” por isso é o aniversário de um ano desta editora que finalmente consegui fazer sair do papel. Mas o que isso significa, afinal?

Nunca escondi que comecei a Caligo sem dinheiro nenhum, embora ela não seja uma empresa que tenha nascido da noite para o dia. Há mais de quatro anos venho pensando comigo: o que gostaria de fazer, se certo dia saísse de uma vez por todas da sala de aula? Sim, eu sou professora e por opção, muito antes de ser revisora, ou editora. Tenho que admitir, porém, que não me agradava nem um pouco a ideia de abrir uma editora somente com a vinda da aposentadoria. Até porque não penso em me aposentar. Quero trabalhar até quando não der mais para pensar, ou me mover. E quando não puder mais fazer essas coisas, quero estar entre pessoas queridas (amigos verdadeiros e família) e no meio de objetos preciosos (os livros, de preferência aqueles aos quais ajudei a publicar).

Sempre pensei na Caligo assim mesmo: uma editora que pudesse ajudar um (bom) escritor nacional a publicar um (bom) livro.  E que bom livro, por exemplo? Um livro bem escrito para o seu público leitor (há vários desses públicos), seja o público que for, mas que esse livro acompanhe a minha ideia de qualidade. Claro, como editora eu tenho que ter essa ideia, tenho que assumir e tenho que, acima de tudo, defender as obras publicadas pela Caligo, tão ou mais do que seus próprios autores. Não poderia ser diferente.

E sei que o que aconteceu nesse um ano de Caligo ainda é pouco. Porém, preciso ser realista. O problema da teimosia em começar um negócio sem ter o mínimo de dinheiro suficiente para tal coisa é só um: o dinheiro é necessário para se ir além do básico. E, durante algum tempo, talvez o básico seja suficiente, até o momento em que você tem que admitir que ele precisa ser deixado de lado, como quando sempre comemos a mesma comida, mas chega uma hora em que aquilo, ainda que saboroso, já “não desce” mais. O problema é que o “básico” é insosso. Não deixa saudade.

Claro que preciso mostrar o quanto sou agradecida pelas coisas boas desse primeiro ano “básico” da Caligo:

a) Publicar dois livros com os quais me envolvi mais do que uma editora poderia se envolver. Isso foi muito bom, porque desses dois livros fui leitora, revisora, diagramadora até, pela necessidade do momento. Dei de mim o melhor que podia, sabendo que muitas vezes e para muitas pessoas isso possa não ter sido suficiente.

b) Estar junto com outras pessoas, os autores, compartilhando ideias, planos e sonhos. E no caso da Antologia “!” poder conhecê-los pessoalmente! Um dia que deixou uma saudade boa, daquelas que fazem a gente se esforçar para que se repitam. E se repetirão, mais vezes do que achávamos que seria possível acontecer.

c) Receber elogios sobre a qualidade do que foi publicado. Uma das melhores coisas, pois é um elogio que alcança o coletivo: o escritor, o editor, o capista, o diagramador, o revisor, a gráfica, aquele que leu e indicou para os outros só por ter gostado, sem mais nenhum interesse.

Não adianta elencar as coisas que não foram tão boas assim. Até porque elas acontecem, fazem parte do pacote de qualquer editora, seja grande ou pequena. Essas coisas servem apenas para serem superadas, leve o tempo que for. Posso até não demonstrar, e muitas vezes alardear uma indignação, mas não perco a vontade de prosseguir, procurando deixar o “básico” cada vez mais longe dos projetos da Caligo.

Gostaria de dizer que em 2014 a Caligo vai, finalmente, conseguir colocar os livros publicados nas prateleiras da maior quantidade possível de livrarias físicas e virtuais. Só que eu não posso prometer uma coisa que não depende de mim, do meu desejo como editora. Às vezes tenho a impressão de que as pessoas acham que é por minha vontade (ou pela falta dela) que não podem comprar em “certas grandes livrarias por aí” os exemplares das obras que saíram pela Caligo, mas… É uma longa história, então o melhor é conseguir driblar isso. Como? Bem, fica para um próximo artigo, quando eu conseguir juntar todo o humor necessário para não torná-lo tão amargo quanto receio que ele possa se tornar. E de coisas amargas essa vida está cheia.

No mais, só espero que você continue nos acompanhando. Obrigada pelos mais de 3.000 acessos ao site nesses dois primeiros meses de existência, obrigada por ler nossos autores e por divulgar os textos desse pessoal tão talentoso. Vocês estão além do “básico”. Voltem sempre! Ou melhor, não nos deixem nunca!

É a editora da Caligo. Trabalha como professora e revisora. Tenta escrever para que seus personagens não fiquem tão zangados com ela e não voltem para puxar seu pé de madrugada. Leitora voraz. Cinéfila frustrada. Se pudesse, faria outras coisas mais, mas para quem não tem sangue azul, nem sorte no jogo, isso já está bom, não dá para reclamar. Ou dá? Escreve no blog No Paraíso de Borges a respeito de seu assunto preferido, alguém arrisca um palpite sobre que assunto é esse? Contato: magiadaliteratura@gmail.com.

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