RedruM: processo criativo e balanço geral

RedRum

Por Bia Machado

Escritores têm seus afazeres, e não é sempre que a inspiração bate à porta para certo trabalho. […] E aos que pensam que descartaremos os outros 98% de contos enviados, ledo engano: temos ideias para mais duas antologias. No mínimo.

Desde o início da Caligo havia a intenção de se fazer uma antologia. Mas aí vocês me perguntam: ué, mas e a Antologia “!”? Claro que a “!” é uma antologia, mas em moldes um pouco diferentes, já que ela veio (quase) pronta para a Caligo, faltando a parte de editoração, mas nunca passou pela minha cabeça fazer qualquer seleção para ela, visto que este livro nasceu como um projeto entre escritores que publicavam textos frequentemente na extinta e saudosa comunidade “Contos Fantásticos”, do Orkut. Foi um risco, mas foi mais que isso, foi a concretização de um projeto muito bacana, do qual me orgulho muito em participar de várias formas, inclusive como escritora.

Pois é, no caso da RedruM, o processo foi bem diferente. Ela nasceu da minha leitura do conto Segunda Sombra, do Vitor Toledo. A partir dessa leitura, comecei a pensar um monte de coisas que não me deram sossego. A proposta, a princípio, seria a do Vitor alongar essa história, fazendo uma novela, um romance. Mas admitindo, “Segunda Sombra” funciona muito bem, bem mesmo, como um conto. Então pensei: que tal criar uma antologia de contos no mesmo estilo, mesma temática, compondo uma antologia bacana?

E é claro que pensei em convidar autores que gostaria que participassem. A minha intenção era evitar um processo de seleção. Por quê? Primeiro, para utilizar autores que já conhecia, e não vejo mal nisso, e segundo, para trabalhar com pessoas com quem tinha curiosidade em trabalhar. Sim, chamei autores da Antologia “!” para participar, assim como chamei autores de outras editoras. Expliquei certinho como deveria ser o conto, o perfil dele, prazo, tudo. Mas autores são humanos, ué, quem ainda duvida disso? Sim, tem gente que duvida, gente que acha que escritor é um ser do outro mundo, uma fada, um extraterrestre, um ser divino. Escritores têm seus afazeres, e não é sempre que a inspiração bate à porta para certo trabalho. Dos seis escritores convidados, somente dois conseguiram realizar a tarefa de produzir contos, dentro da temática. Tínhamos, então, três contos muito bons já certos, contando com o conto do organizador:

A Marca (Fabio Shiva)

A Vidente (Pedro Viana)

Segunda Sombra (Vitor Toledo)

Janeiro começou e uma das convidadas apresentou um conto, mas que não se encaixava totalmente em enredo e tamanho. Acabamos por abrir seleção para a RedruM, e como não sabíamos se os outros convidados ainda enviariam os seus, colocamos que selecionaríamos ATÉ três contos. Vitor, como organizador, ficou totalmente responsável por ler os contos e separar os que achava que se enquadravam no que planejamos para a antologia. Finalmente, no dia 15 de março, o envio foi encerrado e tínhamos mais de 160 contos inscritos. Muitos, muitos, muitos bem mais curtos.

Tínhamos em mente um número “x” de contos para comporem a antologia, sendo 6 ou 7. Se escolhêssemos muitos textos curtos, embora bons, o número de contos aumentaria e teríamos muitos autores participando, o que não queríamos que acontecesse. Muitos autores participando em uma antologia demandam um trabalho bem maior, o que dificulta no caso da Caligo, em que quase todas as funções são ainda realizadas por mim, deixando apenas a parte gráfica para o Pedro Viana (sim, um dos autores convidados, que surpreendeu positivamente com seu conto A Vidente, em todos os sentidos, aguardem para ler!) e o trabalho externo (banco, correio) para um auxiliar administrativo (também conhecido aqui em casa como meu marido, hehe!).

No começo da semana passada, recebi do Vitor os nomes de sete textos para desses escolher dois, três ou até quatro, dependendo do tamanho. E uns 25 outros menores, bons, mas que se encaixavam menos na proposta da RedruM, menos do que os primeiros sete. Escolhi quatro, e ficamos eu e Vitor analisando. Um desses quatro, no caso, apesar de bem escrito, repetia o mote dos outros. Foi isso que baseou nossa escolha sobre os três outros:

A Noiva Liberdade (José Geraldo Gouvêa)

Refração (Diogo Bernadelli)

Uma Noite no Farol (Andre Zanki Cordenonsi)

Ficamos felizes por poder escolher um autor que já é “da casa”, por mérito próprio. Refração tem uma narração perturbadora. Ou várias narrações perturbadoras, hehehe… Igualmente ficamos felizes em receber o conto A Noiva Liberdade. Um conto que transborda humanidade, parece estranho dizer isso, mas as personagens são tão humanas, nos cativam com seus conflitos, é como dissemos no edital: o assassino poderia ser um parente próximo, ou o seu vizinho. Quem poderia supor? E quanto a Uma Noite no Farol, do Cordenonsi, posso dizer que não fica nada, nada a dever a Sherlock, ou Dupin, como bem lembrou Vitor. Todos os méritos ao Andre. E muita sorte a nossa, de poder contar com esse texto para compor a RedruM.

E confessando: eu ia participar da RedruM “apenas” como editora e revisora. Porém, com a leitura dos contos, uma ideia tentadora surgiu-me. Não vou me privar de passar para o editor de texto o conto que já está todo em minha mente e em apontamentos feitos no bloco de notas. Faltava-lhe um nome, mas hoje esse “detalhe” (importantíssimo) foi resolvido, com a ajuda de autores-consultores-amigos. De modo queRedruM terá 7 contos:

A Marca (Fabio Shiva)

A Noiva Liberdade (José Geraldo Gouvêa)

A Vidente (Pedro Viana)

Benevolência (Bia Machado)

Refração (Diogo Bernadelli)

Segunda Sombra (Vitor Toledo)

Uma Noite no Farol (Andre Zanki Cordenonsi)

E aos que pensam que descartaremos os outros 98% de contos enviados, ledo engano: temos ideias para mais duas antologias. No mínimo. Quanto mais pudermos utilizar os bons textos que recebemos, faremos isso. Além de ideias para antologias, vamos começar a publicar contos avulsos em e-book também. Oportunidades não faltarão aos textos que tivemos dó em deixar de lado na RedruM. Não deixem de acompanhar nossas atualizações e saber o que está por vir! 😉

É a editora da Caligo. Trabalha como professora e revisora. Tenta escrever para que seus personagens não fiquem tão zangados com ela e não voltem para puxar seu pé de madrugada. Leitora voraz. Cinéfila frustrada. Se pudesse, faria outras coisas mais, mas para quem não tem sangue azul, nem sorte no jogo, isso já está bom, não dá para reclamar. Ou dá? Escreve no blog Flor do Cotidiano quando sobra um tempinho… Contato: magiadaliteratura@gmail.com.

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