Criação Literária: planejamento

Por Ben Oliveira

Definir as respostas para essas perguntas antes de iniciar a escrita pode facilitar e muito na hora de organizar as ideias e escrever sua história no papel.

Quando se pensa em escrita de ficção ou até mesmo a de não-ficção, muitos leitores não imaginam o trabalho que o escritor tem para planejar o seu texto, seja um conto, com um tamanho menor e linguagem direta, um romance médio ou longo, uma trilogia ou uma série de livros. Sem esta organização, muitas vezes, o projeto não sai da mente, não chega a se materializar em um livro.
Para começar, é preciso entender que não existem fórmulas mágicas. Existem formas de estruturar seu romance que são aceitáveis comercialmente e agradam a algumas editoras, o que não significa que você não possa dar o seu próprio toque e desenvolver o seu estilo. Os primeiros passos dos escritores iniciantes, geralmente, consistem em analisar obras literárias que tenham o tema parecido com o que você deseja escrever, ler muito e usar o mesmo esqueleto como referência.
Ao planejar um livro, há alguns elementos que o escritor precisa levar em conta, os quais eu explico brevemente a seguir:

Gênero: Qual será o gênero literário? Neste aspecto pode se levar em conta qual será o formato, um conto, novela ou romance. Ou será um livro de crônicas, poemas e autobiográfico? Cada gênero possui suas particularidades, desde a extensão do texto até a quantidade de elementos narrativos.

Temática: Como o livro será classificado?Fantasia, Ficção Científica, Terror, Suspense, Thriller, entre tantas formas de classificar que estão surgindo. Por exemplo, a história fantástica tem suas particularidades, assim como as de ficção científica. Para se enquadrar em determinada temática, a história precisa ter algumas características que a qualifiquem como tal. Os gêneros podem se misturar, porém, geralmente, há a predominância de um deles.

Público-alvo: Para quem você está escrevendo? A linguagem de um livro infantil ou juvenil é diferente de um livro para adultos. Um chick-lit (voltado para mulheres modernas) pode não agradar a um leitor homem, assim como um livro de terror pesado e com cenas de sexo, sem dúvidas, não é o mais adequado para crianças. O mesmo acontece quando se trata de não-ficção, um livro voltado para médicos, advogados ou economistas pode ter muitos termos técnicos que são desconhecidos ao leitor geral – assim, como a proposta pode ser abordar assuntos de livros especializados, mas com uma linguagem acessível e que possa atingir um público maior.

Personagens: Tão importante quanto definir o gênero, tema e o público-alvo, é o desenvolvimento de personagens com os quais os leitores possam se identificar ou não, mas que sejam verossímeis. Quantos personagens sua história vai ter? Quantos realmente são necessários ou podem ser cortados, sem fazer nenhuma diferença? Quais são as características (físicas, psicológicas) marcantes deles? Cada personagem precisa ter voz própria, personalidade que o diferencia de outro.

Trama: Como a história irá se desenrolar. Há escritores que prefiram criar primeiro a trama e depois pensar nos personagens, assim como acontece o contrário. É importante lembrar que quando se trata da escrita não existem fórmulas, e sim recomendações para tornar a história agradável, mas que podem ser quebradas pelos autores experientes. A “receita do romance” faz com que muitas histórias fiquem parecidas e se tornem óbvias aos leitores.

Tempo/Espaço: A época e o local em que a história se passa irão moldar a maneira que os personagens se comunicam, modo de vestir, questões relacionadas à moralidade, comportamento, enfim, aspectos culturais e como os personagens interagem neste ambiente. No terreno da fantasia, por exemplo, o personagem começa em um ambiente comum e atravessa um limiar. Já num livro de ficção científica, a história inteira pode se passar no futuro ou até mesmo dentro de uma nave espacial.

Foco narrativo: A história será narrada em primeira pessoa ou em terceira pessoa? O narrador será o próprio protagonista ou quem sabe um personagem que só vai contar a história? Cada escolha de narrador tem suas vantagens e limitações. Nos livros de não ficção, muitos autores usam a segunda pessoa, permitindo um diálogo direto com o leitor, além de também usarem alguns recursos da escrita de ficção para ilustraras informações e conhecimentos que estão tentando transmitir.

Bom, é isto! Este é o básico do básico, mas pode fazer toda a diferença para quem está começando a desenvolver um projeto literário. Definir as respostas para essas perguntas antes de iniciar a escrita pode facilitar e muito na hora de organizar as ideias e escrever sua história no papel.

Lembrando que este planejamento é uma ferramenta para ajudar e não atrapalhar o fluxo criativo – muitos escritores iniciantes imaginam e idealizam os seus escritores veteranos favoritos sentados em frente à máquina de escrever ou ao computador e escrevendo por horas e horas sem direção. Às vezes, o escritor está tão habituado com sua escrita que as ideias fluem de forma natural, o subconsciente auxilia na organização.

A não ser que você já esteja completamente familiarizado com os termos descritos acima, a ponto de não precisar escrevê-los no papel, recomendo aprenda mais sobre eles. A escrita de ficção e a de não ficção – nesta última, muitas vezes, o autor paga um ghost writer para escrever o livro para ela – exige uma boa bagagem cultural, análise de obras literárias e o principal, escrita. Não tenha medo de escrever, ler, revisar, reler, reescrever, editar. Afinal, quem vê o livro publicado, brilhando na livraria ou na estante de sua casa, não sabe quanto tempo o escritor dedicou ao lado de seu filho, antes de soltá-lo no mundo.
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Ben Oliveira é graduado em Jornalismo, blogueiro e escritor com alguns contos publicados em antologias. Possui também romances que ainda não foram publicados. Escreve no blog Ben Oliveira e é um dos parceiros da Caligo Editora.

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