25 de julho – Dia Nacional do Escritor

Por Thais Lemes Pereira

E se nós, escritores, colocássemos na balança a quantidade de livros nacionais e estrangeiros que lemos nos últimos meses, qual sobressairia?

Ser Escritor no Brasil

Dia 25 de julho comemoraremos o Dia Nacional do Escritor. Data que marca a realização do I Festival do Escritor Brasileiro, promovido por João Peregrino Júnior e Jorge Amado, na década de 1960. Lendo sobre o assunto na internet, me deparei com uma reportagem (dezembro/2013) que dizia que o jornal norte-americano The New York Times publicou um artigo afirmando que “ser escritor no Brasil é a mais patética das profissões”.

O primeiro erro daqueles que sonham com a publicação de um livro e dos que já publicaram é encarar a escrita como uma profissão. Afirmar isso é o mesmo que dizer para aqueles que escrevem em qualquer veículo de comunicação sem gratificação, ou para seu próprio deleite, que não são escritores. Entende-se por profissão a atividade social remunerada. Logo, o sonho de se tornar escritor estará diretamente ligado à venda e possível fama. Não adianta julgar jovens e adultos por escrevem histórias pensando em renda, pois o próprio título com o passar dos anos desencadeou essa ideia.

O que pode ser levado em consideração é que muitos autores estrangeiros alcançam a fama e conseguem sobreviver com a venda de seus livros, fato que deve ter influenciado a visão de quem escreveu para o jornal norte-americano. Talvez a culpa seja até dos próprios brasileiros – e quando digo isso envolvo mídias, determinadas editoras e os próprios leitores.

Observamos que o número de leitores brasileiros aumentou nos últimos anos, o que deveria trazer uma maior visibilidade aos escritores do país. Mas, infelizmente, desde que o Brasil foi colonizado, percebemos a grande influência do estrangeiro em nossa vida.

Durante o dia 06 de julho realizei uma pesquisa em uma comunidade literária no Facebook, perguntando quantos livros nacionais e estrangeiros haviam sido lidos nos últimos seis meses. O resultado assusta, mas não surpreende:

graf-leitor-thais

Ser escritor no Brasil não é fácil, mas será que é tão difícil?

Depende da intenção.

Certa vez, li que as pessoas que se formam em Jornalismo hoje em dia são loucas (principalmente depois da queda do diploma), pois o mercado de trabalho anda escasso. Penso o contrário: após a difusão da internet as possibilidades estão maiores, basta saber usá-las. O mesmo acontece com o escritor.

Claro que ter a publicação física do seu livro é mais prazeroso e temos boas editoras que fazem o trabalho sem custo para o autor. Algumas após avaliações, outras com impressão sob demanda. Para os adeptos à leitura digital as oportunidades são as mesmas. Uma dica interessante para aqueles que buscam a visibilidade, é a participação em concursos e desafios literários. Algo que exige paciência, mas que pode ser encarado de uma forma bastante positiva, levando em consideração aperfeiçoamento e amadurecimento.

Mas apenas isso não basta! É preciso quebrar o conceito de que os bons livros são os que recebem destaque pela mídia e que estão presentes nas livrarias. E se nós, escritores, colocássemos na balança a quantidade de livros nacionais e estrangeiros que lemos nos últimos meses, qual sobressairia? Não é preciso deixar os grandes nomes e autores estrangeiros de lado, mas é importante desvendar novas possibilidades.

Para dissolver a imagem estabelecida pelo The New York Times? Não. Para romper o conceito que nós próprios formamos. Afinal, o artigo publicado no jornal é assinado por Vanessa Bárbara, uma escritora brasileira.

Feliz 25 de julho para os escritores do nosso país, principalmente para aqueles que se orgulham disso.

thata-pereira

Thais Lemes Pereira nasceu em Guarulhos- SP, mas mora atualmente em Cambuquira- MG. Estudante de Jornalismo, desistiu do sonho de cursar Arquitetura para dedicar-se ao que realmente gostava: escrever. É autora do livro de poesias Pensamentos de Outrora (Editora Multifoco), lançado em outubro de 2013.
Contato: thaislemespereira@yahoo.com.br.
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2 comentários em “25 de julho – Dia Nacional do Escritor

  1. Thata, como sempre, adorei sua coluna! Curta, simples, passa bem o recado, muito agradável de ser lida!

    Gostaria de aproveitar o tema, e dizer que, indo na contramão da tendência, eu sou uma leitora que aprecia mais a literatura brasileira que a estrangeira. Nos últimos anos, os livros que li foram praticamente todos brasileiros. Em situações excepcionais, leio livros de escritores latinos, e em outras mais excepcionais ainda, de demais escritores estrangeiros.

    Não sei o motivo, mas ainda penso ser a literatura brasileira superior à estrangeira, talvez por afinidade, dançar no mesmo ritmo que eu, às vezes, por amor à terra. Também penso que ler na língua pátria do autor propicia uma experiência muito mais rica – lendo traduções, perdemos muitas vezes o melhor dos livros.

    Ao ensejo, feliz dia da autora também!!!

    Com muito carinho, de uma amiga que ainda pretende alterar o cenário brasileiro, e a espera de que você abrace o mesmo ideal.
    Beijo enorme!

    ; )

    1. Quando eu era criança, lia muitos autores nacionais, Ana. Isso porque pegava os livros emprestados na biblioteca. Mas na adolescência esse número caiu significativamente, pois outras pessoas me indicavam muitos autores internacionais e ofereciam os livros para que eu lesse.

      Quando comecei a comprar meus próprios livros, ainda sofri com a influência. Mas hoje também me sinto mais atraída pelos autores nacionais.

      Não duvido que alcance seu ideal!! Beijo enorme!!

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