Literatura infantil: os primeiros passos

Por Thais Lemes Pereira

 

Com a expansão dos meios de comunicação, ficamos cada dia mais surpresos com os livros que as crianças andam lendo. Alguns sequer possuem características que antes considerávamos básicas para atrair novos leitores.

 

O primeiro livro que li, emprestado da escola em que estudava, foi “Uma Professora Muito Maluquinha”, do Ziraldo. Desde então sou apaixonada pela Literatura Infantil e Infantojuvenil, mesmo que não me arrisque por esse mundo. É preciso muito mais do que saber escrever e ter sido uma criança. Uma responsabilidade muito grande, pois a partir desse passo é que os próximos serão dados e uma impressão passada durante a infância pode ser carregada para o resto da vida.

Qualquer adulto que não cultivou o hábito de ler pode adquiri-lo, mas o gosto pela leitura é melhor aproveitando quando ainda somos crianças. A fase das novidades é também o momento de despertar o interesse por assuntos que carregaremos ao longo dos anos. Por isso esses livros têm um papel fundamental na sociedade.

O mais engraçado é que batemos sempre na mesma tecla dizendo que a leitura deve ser incentivada desde a infância, mas raríssimas são as vezes que tomamos conhecimento que algum livro do gênero foi publicado. Isso porque automaticamente associamos a publicação aos autores consagrados como Monteiro Lobato, Ruth Rocha, Cecília Meireles, Ana Maria Machado e tantos outros.

Ressaltando todas as mudanças que ocorreram nos últimos tempos, principalmente no que diz respeito à comunicação, percebemos que a Literatura Infantil sofreu uma transformação muito grande. Antigamente, para o público infantil e jovem, a forma mais fácil de ter acesso aos livros era pegando-os emprestado das bibliotecas escolares ou municipais – abrindo pequenas exceções. A leitura ficava delimitada pela faixa etária e era mais comum encontrar autores nacionais nas estantes.

Recentemente, visitei uma escola pública de Ensino Fundamental e notei nas mãos das crianças livros para todos os gostos: finos, grossos, nacionais, estrangeiros, com gravuras ou sem. Alguns, inclusive, que possuo na estante. Com a expansão dos meios de comunicação, ficamos cada dia mais surpresos com os livros que as crianças andam lendo. Alguns sequer possuem características que antes considerávamos básicas para atrair novos leitores.

Torna-se admirável quando autores conseguem cativar esse público tão questionador e cheio de novas ideias. É passando antes por eles que outros autores, no futuro, terão o trabalho lido e contemplado.

Hoje as crianças possuem a personalidade mais definida do que há alguns anos atrás. São capazes de criticar com argumentos sólidos o que acabaram de ler. A mesma crítica que em um artigo anterior − Sobre “Galáxias” e a influência das leituras que não nos cativam – afirmei ser necessária para desenvolver habilidades de escrita, além de despertar a criatividade.

Por isso, é fundamental que professores e pais estejam dispostos a conduzir os primeiros passos. E quem sabe, depois de aprender a andar sozinho, seja hora de sentar e escrever.

-***-

thata-pereira

Thais Lemes Pereira nasceu em Guarulhos- SP, mas mora atualmente em Cambuquira- MG. Estudante de Jornalismo, desistiu do sonho de cursar Arquitetura para dedicar-se ao que realmente gostava: escrever. É autora do livro de poesias Pensamentos de Outrora (Editora Multifoco), lançado em outubro de 2013.
Contato: thaislemespereira@yahoo.com.br.
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2 comentários em “Literatura infantil: os primeiros passos

  1. Thata, percebo que a escola tem expandido bastante esse projeto de literatura. Tem havido bastante incentivo pra a literatura infantil! Digo isso por experiência própria de mãe, muitas vezes fico até surpresa, pois o cenário me parece muito mais animador inclusive que na minha época de infância. Mas realmente essa questão de faltarem novos autores, diz respeito àquela velho papo nosso, a própria indústria editorial, o que é lamentável…

    Às vezes, penso em me aventurar por este mundo. Muitas vezes, tenho que inventar histórias para a Sarinha, mas normalmente essas histórias são contadas assim, ao vento, e nunca vão para o papel!

    Beijos.

    1. Oi, Ana! Eu também percebo esse incentivo nos dias de hoje. Não sei se por conta da nossa cidade que é pequena, mas espero que todas as escolas estejam dando a mesma importância. A Sarinha deve adorar as suas histórias e, me baseando na última conversa que tivemos sobre literatura infantil/ contos de fadas, super incentivo que você coloque-as no papel!!

      Beijos!!

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