É tempo de comemorar. E de continuar.

Há três anos, em um dia 25 de julho, a Caligo foi criada. Começou a sair do plano das ideias, transformou-se em algo que poderia realmente funcionar. Até ela se tornar uma empresa foram mais de seis meses. Mas desde o Dia Nacional do Escritor de 2012 ela existe. Tem nome, com a ajuda do amigo Vitor Toledo. Tem um slogan, com auxílio da amiga Martha Angelo. Bendito aquele que tem amigos escritores, pois nunca passará aperto na hora de criar algo do tipo! =)

Foi uma gestação de mais ou menos três anos. Três anos pensando a respeito, se valia realmente a pena, diante de tudo o que a gente já sabia do mercado editorial. Não sabíamos muito, até hoje sabemos quase nada. Mas desde aquela época sabíamos o mais importante e amedrontador fato: não seria fácil, pois o mercado editorial brasileiro é cheio de meandros, é território injusto, e quanto menor a editora, quanto menos dinheiro possível de ser investido, mais difícil ainda. Nós, pequenos editores sem dinheiro, seremos loucos, então? Talvez. Provavelmente. Porque mesmo sabendo de todas as dificuldades, a vontade de fazer algo nesse sentido, de publicar livros de autores que julgamos serem merecedores disso, essa vontade era cada vez maior.

Até o começo do ano conseguimos segurar as pontas, fomos indo conforme a maré. Muitas vezes pensamos desistir. Todo dia, aliás. Mas o desejo de continuar também é forte, é imenso. E luta como um gigante dentro de nós. Ah, esse desejo é teimoso!

O que fazer, então? Durante os últimos meses, refletimos muito a respeito do que é, hoje, a Caligo, assim como pensamos muito a respeito do que queremos que a Caligo seja. E chegamos à conclusão de que não podemos pensar que queremos ser uma editora que publica livros de autores nacionais. As possibilidades são maiores se pensamos em publicar textos bons, de bons autores. Porque pensando assim, não importa a forma de edição. Nossa missão é publicar textos, estamos deixando isso bem definido a partir de agora. E é isso o que vamos fazer.

Para os próximos meses, temos então:

– Criação de uma revista digital, gratuita, bimestral, com material produzido por autores selecionados: contos, artigos, matérias. Com isso, queremos fazer com que esses autores, seus textos, e o trabalho da Caligo chegue ao maior número possível de leitores, já que a distribuição de material físico é caro, é complicado, é uma longa história que uma hora a gente explica, e talvez você até conheça essa história de ouvir falar por aí;

– Início da produção de e-books dos livros físicos já editados pela Caligo e antologias e contos avulsos que forem planejados a partir de agora. Ainda estamos vendo a respeito da venda desses e-books, se será pela Amazon ou de outra forma, mas o que sabemos é que os valores serão bem reduzidos, voltando ao ponto: fazer com que os textos desses autores cheguem ao maior número possível de leitores;

– Vamos fazer algumas mudanças aqui no site, por isso desativamos algumas páginas, que retornarão em breve. A intenção é concentrar a venda dos livros aqui, saindo da plataforma da Loja Integrada. Motivo: reduzir custos, pois mesmo a Loja Integrada sendo gratuita até o limite de 50 produtos cadastrados, de cada livro vendido temos uma taxa a pagar para o site, fora a taxa do PagSeguro e BCash. Muito provável então que as vendas se concentrem aqui também, assim poderemos até baixar o preço de capa dos livros físicos. E dos e-books.

– Talvez a Caligo mude de nome de fantasia. O motivo é que ela está registrada como ME, gerando assim muitos custos. Nos próximos meses queremos transferir para MEI, Micro Empreendedor Individual, um custo bem, bem mais reduzido. Mas tudo bem. Parafraseando Shakespeare: o que é um nome? Tudo para não parar no meio do caminho. Vai valer a pena, nós sabemos disso.

Sei lá, esse negócio de fazer livro, de produzir livro, é viciante. Vicia mais que ler, desconfiamos que vicia até mais que escrever. Duvida? Experimente produzir um livro e volte aqui para descrever a sensação desse processo. Depois do primeiro, você não consegue mais parar, e se parar, será algo inesquecível, do qual sempre se lembrará. Não dizem que a leitura dos livros muda as pessoas? Pois editá-los também.

E afinal, parar algo que significa tanto para nós, para quê? Por quê? Nessas horas vale mais dar um passo para trás, ou parar um pouco à beira do caminho para tomar um fôlego e depois seguir em frente. Somos loucos por essa coisa de livro e está certo, você já entendeu isso. Então a gente para hoje por aqui, evitando repetições.

Até o próximo informe!

Anúncios

Mudanças, mudanças… 2015 vem aí!

Olá! Temos dois motivos para estar aqui hoje: um deles é agradecer a você que nos acompanhou durante o ano de 2014, e a você que chegou agora, esperamos que ambos continuem com a gente em 2015.

O segundo motivo é avisar que estamos fazendo mudanças em nosso sistema de trabalho para o próximo ano. Como assim? Bem, nós sempre dissemos que não cobraríamos nada do autor para publicação, e isso é o que continuamos defendendo ser o melhor, o nosso objetivo. Infelizmente, por motivos que não precisamos citar agora porque já deixamos explícitos em posts, em entrevistas e tudo mais, vamos passar a trabalhar mais como assessoria de publicação. Sim, continuaremos publicando livros que queremos publicar, mas a maioria será nesse sistema de assessoria, que vamos explicar melhor em um próximo post, ainda nessa semana. Os livros que já anunciamos estão confirmados, porém não poderemos mais precisar uma data. Tudo vai depender de dinheiro disponível para a publicação e de tempo também, ou seja, tudo vai ser repensado da forma mais viável possível para editora e autor. Dessa forma, encontramos um jeito de continuar, mesmo enfrentando muitos problemas pela grana curta e pela dificuldade geográfica. É, e você achando que o mais difícil de um livro era escrevê-lo, não? Escrever e ler são as partes mais divertidas, então continuem, continuem escrevendo e continuem lendo bons livros. A gente continua por aqui, bem devagar, mas sempre, tentando auxiliar autores com seus textos cada vez melhor.

Feliz Ano Novo!

Caligo Editora

Envie um artigo para a Caligo publicar

Com a correria da vida, tem sido complicado atualizar a coluna da Caligo como gostaríamos, coisa de duas vezes por semana. Difícil também está ir atrás dos textos para postar aqui. Por este motivo convidamos a todos que queiram escrever um texto sobre escrita, leitura, publicação e outros temas que envolvam livros, a nos enviar material para a coluna.

O texto não precisa ser inédito, pode já ter sido postado (enviar o link da postagem).

O e-mail para envio é caligo@caligoeditora.com.br.

É só enviar e faremos uma análise, combinando com o autor. 😉

 

 

Ben Oliveira entrevista Rubem Cabral

Rubem Cabral concedeu entrevista ao Blog do Ben Oliveira, contando um pouco sobre a distopia que está escrevendo e dando dicas a autores. Escritor com conto premiado no exterior, Rubem já participou de diversas antologias nacionais e é o organizador da Antologia “!” de Contos Fantásticos, publicada pela Caligo em 2013.

Confira aqui!

O autor anônimo

Por Braulio Tavares*

Hoje em dia, um livro que saia sem indicação do autor, mesmo um nome falso ou um pseudônimo, é quase inimaginável.

 

A questão dos direitos autorais está ligada, de um lado, à remuneração do trabalho do autor (aspecto material) e a um aspecto que poderíamos chamar imaterial ou simbólico, que é referido nos contratos como “o direito de ser reconhecido como o autor da obra X”. Este é um aspecto interessante porque implica numa vantagem (se não o fosse, não seria reivindicado pelos autores), mas uma vantagem de caráter abstrato. Esse direito e essa vantagem nos parecem indiscutíveis, mas a verdade é que, pelo menos na literatura, nem sempre havia a pressuposição tácita de que o autor gostaria de ser identificado com a obra. Às vezes, entretanto, o autor preferia ficar na sombra.

Edgar Allan Poe publicou em 1837 seu primeiro livro, Tamerlane and other poems, assinando-se como “Um bostoniano”. Talvez uma tentativa de sentir-se mais integrado à população de Boston, cidade onde nasceu e com quem manteve uma relação de amor e ódio. Talvez por ter apenas 18 anos, estar servindo ao Exército sob nome falso (“Edgar Perry”) e não querer chamar atenção sobre si próprio. Sempre achei este episódio semelhante ao que ocorreu com Manuel Antonio de Almeida, que publicou em 1852 as Memórias de um Sargento de Milícias, assinando-se como “Um brasileiro”. Por quê? Já li num ensaio ou prefácio que Almeida limitou-se, como jornalista, a escutar as histórias narradas por um personagem real, e as transpôs para o livro sem muita interferência.. Por isso sentia-se meio desconfortável em apresentar-se publicamente como o inventor daquilo tudo, coisa que não era.

Folheando uma reedição recente do Frankenstein de Mary Shelley vi uma reprodução da página de rosto da edição original de 1818, em três volumes. O livro saiu sem menção ao autor, o que só ocorreu da segunda edição em diante. Pelo fato de ser uma mulher? Talvez, mas o livro era prefaciado por Percy Shelley (marido da autora) e trazia uma dedicatória ao pai dela, o filósofo William Godwin. Hoje em dia, um livro que saia sem indicação do autor, mesmo um nome falso ou um pseudônimo, é quase inimaginável. Livros anônimos são, às vezes, livros que podem produzir reações polêmicas, como os Vestígios da História Natural da Criação, que Robert Chambers publicou anonimamente em 1844, com uma teoria cósmica da evolução.

Entre o autor que receia ser revelado e o autor que não faz a menor questão de ser conhecido vai uma grande distância. Se tomássemos no seu sentido mais amplo as palavra “história” e “canção”, e fosse feito um balanço de muitos séculos, veríamos que numa espantosa percentagem delas nunca se veio a saber quem foi o seu criador.

*Publicado originalmente no blog Mundo Fantasmo, créditos ao autor.

Ora, os clássicos…

Por Gustavo Araujo

Se a virtude está no meio, então, é possível dosar a narrativa com descrições suficientes, nunca exageradas, com certa dose de introspecção, além de emprestar profundidade psicológica mínima para que os personagens não soem esquemáticos.

 

É comum a ideia de que todo escritor deve, antes de tudo, ser um insaciável leitor. Este é o estágio necessário, imprescindível, para que se atinja um mínimo de maturidade na escrita. Nos desafios literários do Entre Contos é possível vislumbrar as influências de best sellers recentes, especialmente da chamada literatura para jovens adultos, conhecida pela sigla YA, na maneira com que os participantes se expressam.

Inspirados por autores modernos, especialmente estrangeiros, os escritores mais novos torcem o nariz para textos considerados tradicionais, mais lentos e introspectivos, preferindo narrativas dinâmicas, sem muitas descrições, e que vão direto ao ponto.

Naturalmente, há um choque.

Autores mais afetos à escola tradicional criticam a cultura enlatada, consumida com avidez instantânea, que, alegam, caracteriza os romances mais vendidos atualmente. A fim de embasar seus argumentos, apontam com certo desdém que falta às novas gerações contato com as obras clássicas. Citam, como exemplos, por vezes com uma intimidade fingida, obras de Machado de Assis, Guimarães Rosa, José de Alencar, Manuel Bandeira e toda a trupe presente nas aulas de Literatura da época do “científico” ou do “segundo grau”. Para os defensores dessa corrente, escritor algum poderia ostentar tal epíteto se não fosse capaz de citar, de coração, trechos de “Macunaíma” ou de “Memórias no Cárcere”.

Os autores modernos se defendem, afirmando com orgulho que jamais leram os clássicos e que não têm a mínima intenção de fazê-lo. Apontam que os clássicos são aborrecidos e que, não fosse a obrigação de conhecê-los na escola, ninguém se importaria com eles.

Como Aristóteles (ou seria Confúcio?), penso que a virtude está no meio.

Não acho que ler os clássicos seja condição indispensável para que alguém seja um bom escritor. Claro, é bom, é aconselhável, mas não se trata de pressuposto inarredável.

Muitas vezes, a meu ver, a argumentação da escola tradicionalista soa como despeito. Os autores que atualmente mais vendem não mereceriam tal sorte porque têm trapaceado, relegando os clássicos às prateleiras poeirentas de museus que ninguém visita.

Não concordo. Os autores que mais vendem têm seus méritos – entre os quais o de entender a linguagem falada atualmente, em todos os sentidos da expressão, quer para o bem, quer para o mal.

Não se pode considerar alguém “menos preparado” porque não leu medalhões. Chego a duvidar, em alguns casos, que os defensores dessa tese realmente leram os livros que indicam, preferindo brandir um meme com uma citação de Clarice Lispector.

Também acho, do fundo do meu coração, que certos “livros indispensáveis” são extremamente tediosos. Diante da linguagem que temos hoje, da velocidade com que gira o mundo, com que muda a cultura, com que se expressa a linguagem, os parágrafos intermináveis de “Sagarana” ou “Grande Sertão: Veredas” são tudo menos empolgantes.

Mas não podemos generalizar. Há livros clássicos muito bons, como “Dom Casmurro” e “O Tempo e o Vento”, que certamente influenciariam de maneira muito positiva os novos autores. Aí, há que se apontar a preguiça da nova geração em travar contato como que se escreveu há mais de um século, o que, no fim, revela-se um pecado imperdoável.

Para mim, o bom escritor terá mais chances de sucesso se souber reconhecer as obras – quer clássicas, quer modernas – que lhe permitam construir seu próprio estilo. E, muito importante, deve reconhecer que a fórmula encontrada diz respeito apenas a si mesmo, evitando conselhos fáceis e, por vezes, arrogantes.

Se a virtude está no meio, então, é possível dosar a narrativa com descrições suficientes, nunca exageradas, com certa dose de introspecção, além de emprestar profundidade psicológica mínima para que os personagens não soem esquemáticos. Com tal construção é possível, aí sim, atirar-se à aceleração e ao dinamismo. Um sem o outro, pelo menos atualmente, torna qualquer história aleijada.

Enfim, penso que o autor de hoje deve procurar conjugar os estilos, evitando a armadilha fácil de se aferrar a um deles e desmoralizar o outro, como tantos fazem.

Se posso fazer uma sugestão, peço que digam não aos reacionários da literatura. Abandonem a escola única e deixem-se contaminar pelo que ambas têm de melhor. No fim, misture a si mesmo nessa ideia. Talvez dê certo.

Gustavo Araujo mora em Brasília-DF, com a esposa e as duas filhas. Administra o site Entre Contos. Participa com dois contos na Antologia “!”  e também é autor do livro “O Artilheiro”, publicado em 2013. Seu livro “Pretérito Imperfeito” será publicado pela Caligo em 2015.

Uma crítica sobre a crítica

Por Thais Lemes Pereira

O segredo está nas mãos do autor. Ao receber a crítica de sua obra – ou analisar a opinião de alguém sobre o livro de outro escritor – é crucial conhecer a pessoa que a emitiu, se quiser levá-la em consideração.

 

O texto está pronto. Seja o romance, o conto ou o artigo. Um dos próximos passos dado por escritores – iniciantes ou não – é submetê-lo à análise crítica de escritores e leitores; muitas vezes de amigos. Um passo importante quando se trata de identificar erros gramaticais e possíveis furos na história. O autor, tão envolvido e compenetrado com a obra, muitas vezes não consegue enxergá-los após dedicar certo tempo àquela escrita. Opiniões são bem-vindas, mas exprimir um “conceito pessoal” (preconceito) a respeito da obra de alguém é positivo ou negativo?

Na verdade, a pessoa que irá emitir essa opinião não tem muito que fazer. Expressar um conceito, hoje em dia, é algo difícil e livrar-nos dos nossos gostos, na hora de apontar, algo mais difícil ainda. Seria maravilhoso se cada leitor beta tivesse a capacidade de olhar para uma obra deixando de lado suas crenças e emitindo a real sintonia que teve com a obra. Audácia que muitos diriam não resultar em nada, pois o objetivo dessas leituras é distinguir o que determinado público achará da história e da forma como foi contada. Porém, muitas vezes, submetemos nossos textos à análise de pessoas que não se distinguem culturalmente uma das outras. Conseguimos, assim, catar as pedras do feijão, mas poucos são capazes de colocá-lo para cozinhar.

O segredo está nas mãos do autor. Ao receber a crítica de sua obra – ou analisar a opinião de alguém sobre o livro de outro escritor – é crucial conhecer a pessoa que a emitiu, se quiser levá-la em consideração. É importante que o receptor conheça quais os parâmetros que levaram o leitor a fazer determinado comentário. Perguntando se foram formulados a partir de conceitos ou de crenças, pois a última é mutável. Posso, nesse segundo, emitir a opinião sobre determinado texto e, ao lê-lo novamente, adquirir uma visão completamente diferente.

Tema que não vale apenas para escritores, mas para leitores que se deixam induzir pelo julgamento traçado de outra pessoa, sem levantar questionamentos. Sem pensar o quanto somos diferentes em nossos gostos, mesmo que sejam parecidos. Definimos, com a ajuda de críticos (que podem ser qualquer pessoa que emite opinião sobre determinado texto e não apenas o profissional), o que é uma obra boa e outra ruim e a resignação resulta na falta da liberdade de escolha.

Apesar disso, é uma etapa que não deve ser ignorada. O confronto das ideias é o processo válido, que trará o resultado desejado. Aceitar a opinião de alguém, sem confrontá-la com a sua ou, melhor ainda, de outras pessoas, não surte efeito no que diz respeito ao crescimento pessoal como escritor: no crescimento da sua obra. No que diz respeito ao conforto, quando apreciam o que escrevemos sem traçar pontos a serem melhorados, muitas vezes, devemos nos fazer as mesmas perguntas.

Então, será que não posso aceitar nada de bom grado? Em minha opinião “pessoal”, não! Uma crítica será bem aproveitada quando analisada, mesmo que já seja fruto de uma análise. É o ato de saborear o que o leitor pensa sobre seu texto, sem apenas ingerir.

Critiquem minha crítica sobre a crítica e todas as demais que encontrarem pela frente, caso cheguem a conclusão de que é viável.

-***-

thata-pereira

Thais Lemes Pereira nasceu em Guarulhos- SP, mas mora atualmente em Cambuquira- MG. Estudante de Jornalismo, desistiu do sonho de cursar Arquitetura para dedicar-se ao que realmente gostava: escrever. É autora do livro de poesias Pensamentos de Outrora (Editora Multifoco), lançado em outubro de 2013.

Contato: thaislemespereira@yahoo.com.br.

A jornada do escritor: investimento em livros

Por Ben Oliveira

Além de investir tempo na prática da escrita, os autores precisam ser leitores vorazes, entendedores da literatura.

 

A Jornada do Escritor, ou seja, o caminho percorrido por aqueles que sonham em se tornarem escritores profissionais envolve não só escrever, mas também buscar o conhecimento. Uma das melhores formas de se aprender mais sobre a escrita literária é através dos livros: literatura, técnicos, crítica literária, ensaios e demais áreas de conhecimentos que possam ajudá-lo a entender melhor os seres humanos e a arte de escrever.

Um dos principais erros de escritores iniciantes é o de se aventurarem no universo da escrita, sem antes terem uma boa bagagem literária. Não estou dizendo que existe um número mínimo de livros que alguém precisa ler, para que possa finalmente começar a escrevê-los – aliás, a jornada do escritor é muito pessoal e cada um deve saber como empreendê-la –, porém se você for analisar os conselhos deixados por grandes autores, vai perceber que a maioria destes profissionais recomenda muita leitura!

Por que é tão importante essa leitura? Bom, primeiro porque antes de inventar de escrever um livro de terror, fantasia, ficção científica, ou seja lá qual for a temática que você desejar abordar, é necessário que você entenda quais são as características que não podem faltar em sua história. Além de entender a temática que você deseja escrever, você precisa se familiarizar com o gênero literário escolhido: conto, romance ou novela. Um conto é muito mais do que uma história curta, assim como um romance não é só um livro longo, dividido em vários capítulos.

Todos os meses, ou quando tenho dinheiro, eu invisto em adquirir livros que possam aumentar a minha bagagem cultural. Hoje, ao terminar de ler dois livros sobre técnicas de escrita (literatura comercial) em uma tarde, fiquei pensando: “Será que realmente valeu a pena comprá-los?”. E a resposta veio quando, ao terminar um dos exercícios de escrita livre, eu consegui encontrar o final do romance que estou escrevendo. Não importa se o livro é pequeno ou grande, se é técnico ou reflexivo, o que faz a diferença é a sua leitura, assim como a maneira que você explora as informações, somando com os seus próprios conhecimentos.

Outra série de livros que comprei, por exemplo, são oficinas de escrita. O livro traz diversos exercícios que funcionam como se o leitor estivesse participando de um curso, sendo guiado pelo autor. O escritor iniciante ou até mesmo o veterano, à medida que desenvolve a escrita, vai saindo da zona de conforto. O livro é extremamente prático – cabe ao leitor fazer suas próprias reflexões e utilizá-lo da melhor maneira possível.

Quando leio livros de literatura, gosto de marcar os meus trechos favoritos, reviravoltas, metáforas e algumas técnicas utilizadas pelo autor para tornar o livro mais interessante. Isso me ajuda bastante a aprender sobre a minha própria escrita e, é claro, na hora de resenhar o livro, pois facilita na hora de recordar as passagens mais marcantes da obra e tentar entrar em contato com a essência do escritor.

Se o seu objetivo é aprender mais sobre a arte da ficção, no momento em que está lendo é necessário ter uma visão diferenciada, não basta ler por mero entretenimento. Acredite, entender um fragmento que seja da essência de um escritor é tão prazeroso quanto lê-lo só para passar o tempo. A sensação que fica é a de que você e o autor compartilharam segredos, confidências – é o famoso “ler nas entrelinhas”.

A leitura dos clássicos da literatura também é importante, afinal, muitas obras contemporâneas surgiram do diálogo com esses livros escritos há séculos (intertextualidade), além de ser uma ótima forma de compreender quais elementos da narrativa fizeram tanto sucesso a ponto de conquistarem leitores até os dias atuais.

Não se pode ignorar a força de alguns autores contemporâneos best-sellers para quem deseja entender por que eles vendem tanto. No entanto, até eles tiveram que beber em fontes do passado para escreverem seus romances. Por exemplo, se você gosta de distopia, tema que tem vendido muito atualmente, não basta ler livros como Divergente (Veronica Roth) e Jogos Vorazes (Suzanne Collins), é preciso se aventurar também em Laranja Mecânica (Anthony Burgess) e 1984 (George Orwell).

Não basta ler os livros técnicos com soluções “rápidas e fáceis” para escrita, como se escrever um livro fosse como seguir a receita de um bolo. É interessante que o escritor tenha conhecimentos sobre teorias (linguística, literária, comunicação) e compreender os assuntos que deseja abordar em seus livros. Logo, além dos livros servirem como ótimos materiais de estudo, eles também são ótimas ferramentas de pesquisa. Por exemplo, escrevi um romance de fantasia sobre bruxaria, e mesmo tendo conhecimento da religião, precisei reler alguns livros. Não importa se o seu livro é de fantasia, os símbolos, rituais e demais elementos precisam ser verossímeis e fazer sentido.

Portanto, se você sonha em se tornar escritor profissional – sobreviver de sua carreira literária –, é melhor transformar esse sonho em um objetivo e começar a traçar seu caminho. Não adianta achar que o escritor somente escreve e magicamente tudo sai lindo e perfeito. Além de investir tempo na prática da escrita, os autores precisam ser leitores vorazes, entendedores da literatura. Ninguém está dizendo que você precisa escrever um livro que vá agradar todo mundo ou se tornar um Mestre da Teoria Literária. Tenha em mente que mesmo autores que já foram massacrados pelos especialistas, como Stephen King, dominam a arte de escrever. Seus textos, muitas vezes, são criticados pelo debate literatura arte x literatura comercial, embora quem lê as entrelinhas percebe vários elementos que enriquem suas obras literárias.

Se o seu objetivo é só publicar um livro, bom, existem inúmeras opções atualmente, algumas até mesmo gratuitas, como a Amazon, ou a autopublicação, na qual você pode recuperar o seu dinheiro gasto se vender os livros para seus amigos, familiares e conhecidos. Porém, se o que deseja é se profissionalizar como escritor, busque aprender sempre, entender o mercado editorial, investir na leitura e escrita, ter paciência, entender que você vai ter que sacrificar algumas coisas para conquistar outras e ser humilde para admitir que todos temos algo que precisa ser melhorado em nossos textos, nossas vidas. Parece óbvio, embora muitos não percebam. Mais absurdo do que um escritor que não escreve – independente dos inúmeros fatores que pouca diferença faz para o leitor e para editores (falta de tempo, preguiça, procrastinação, falta de inspiração, bloqueio criativo) – é um escritor que não lê!

 

Ben Oliveira é graduado em Jornalismo, blogueiro e escritor com alguns contos publicados em antologias. Possui também romances que ainda não foram publicados. Escreve no blog Ben Oliveira e é um dos parceiros da Caligo Editora.

Entrevista: Gustavo Araujo

Por Thais Lemes Pereira

Em 2015, a Caligo Editora publicará o livro “Pretérito Imperfeito”, do escritor Gustavo Araujo. Além de escrever, Gustavo é organizador do site Entre Contos, que promove Desafios Literários. Formado em Direito, pai de família, um pouco de tudo pode ser conferido na entrevista que ele me concedeu durante a semana: o que o motiva a escrever, suas inspirações e, principalmente, o que devemos esperar do tão aguardado “Pretérito Imperfeito”.

 

– De onde surgiu a inspiração para o livro Pretérito Imperfeito?
Em 2009 eu passei pela experiência mais dramática que um homem pode experimentar. Fui pai pela primeira vez. Em pouco tempo a rotina da casa se transformou, com todas as atenções voltadas para a nossa bebezinha, chamada Sofia.
Como todos os pais de primeira viagem, desde o início tentamos influenciar positivamente nossa pequenina com o que os estudiosos consideravam positivo: música clássica, principalmente Mozart, e vídeos do Baby Einstein. Funcionou por um tempo, mas assim que a Sofia cresceu, nosso poder de decisão foi diminuindo. Como resultado, em pouco tempo éramos bombardeados com Patati Patatá e Galinha Pintadinha.
Certa manhã, assistíamos pela enésima vez à “Galinha Pintadinha 2”. Para quem não sabe, são músicas infantis populares ilustradas com desenhos animados. Quem tem filhos sabe que a criançada adora. Pois bem, uma das canções da coletânea é a famosa “Se essa rua fosse minha”, cuja animação é especialmente caprichada.
Não sei se eu estava especialmente sensível na ocasião, mas de alguma maneira, a música me capturou. Quando dei por mim, estava imerso na melodia e na letra, completamente tomado pela melancolia e pela nostalgia que permeiam os versos.
A menina que se apaixona por um anjo que vive num bosque. Um amor impossível.
Inspirado, escrevi um conto chamado “A Menina na Floresta” e publiquei na comunidade “Contos Fantásticos”, do antigo Orkut. A repercussão foi bastante positiva, o que terminou por plantar na minha cabeça a ideia de um dia desenvolvê-la na forma de um romance.

 

– Para aqueles que ainda não conhecem, qual a história do livro?
Levei um bom tempo para começar a transformar “A Menina na Floresta” em um romance. Acho que de certo modo eu tinha receio dessa transformação. Não dava simplesmente para manter a mesma linha narrativa e encher linguiça. Além do mais, todo mundo que escreve sabe que o autor jamais é dono da história. À medida que escrevemos, a narrativa ganha autonomia, conduz a trama a situações que nem sequer imaginávamos. Isso sem falar na rebeldia dos personagens, que praticamente exigem mudanças naquilo que se havia planejado.
Bom, de todo modo, um dia, eu resolvi me sentar e escrever. Em poucas horas tinha a espinha dorsal montada e, apesar da origem “Pretérito Imperfeito” terminou bastante diferente de “A Menina…”
Sim, a linha argumentativa principal permaneceu a mesma: um menino e uma menina que inadvertidamente se encontram em um bosque e que acabam se apaixonando. No entanto, por se tratar de uma história maior, um romance, outros elementos foram inseridos, de modo a tornar a narrativa toda mais rica e os personagens mais profundos.
Pois bem, a história se passa, na maior parte do tempo, na cidade fictícia de Porto Esperança, no interior do Paraná, ainda que haja “locações” em Passo Fundo e em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, além do Rio de Janeiro.
A trama toda, na verdade, se divide em três.
A primeira trata de Toninho.  É um menino de treze anos com uma dificuldade enorme para ler em público, o que lhe traz problemas na escola, e que também vive uma relação complicada com o próprio pai. Por conta disso, prefere se isolar. Passa os dias estudando passarinhos usando um velho manual de aves que ganhou de presente da mãe, já falecida, e refugiando-se em uma clareira do bosque que circunda a cidade.
Paralelamente, conhecemos a menina Cecília, não por meio de um narrador onisciente, mas por intermédio de cartas, trechos de seu diário endereçados a alguém chamada Carol. Cecília é muito inteligente e questionadora. Adora ler e escrever. Porém, vê-se em uma situação difícil, impedida de sair de casa devido às atividades misteriosas em que seu pai está envolvido.
Um terceiro foco narrativo aborda a vida do pai de Toninho. Espalhada em capítulos alternados, a história de Pedro Vieira é narrada desde sua infância árdua num sítio no Rio Grande do Sul até os anos que antecedem a velhice, já em Porto Esperança. Pedro é dono de um passado perturbador, tendo trabalhado como agente da polícia secreta de Filinto Müller nos anos 30, uma fase da vida que ele gostaria de esquecer.
Naturalmente essas três realidades – de Toninho, de Cecília e de Pedro Vieira – se entrelaçam no tempo e no espaço, trazendo à tona questões pessoais, arrependimentos, erros, sacrifícios e redenção.
Gosto, entretanto, de dizer que o livro trata de amor. Amor que é descoberto pela primeira vez, amor entre pais e filhos, amor por literatura, amor pela escrita, amor por quem já se foi. Pode parecer piegas, mas creio que o tema, longe de ter se esgotado, ainda permite abordagens fora do contexto usual.

 

 – As mulheres, em suas histórias, são sempre muito marcantes. Nomes fortes, personalidades definidas. Porém, seu novo livro conta com dois personagens importantes na história: Toninho e seu pai. Foi difícil desenvolvê-los?
Na verdade, essa personalidade forte que tento emprestar às mulheres nas histórias que escrevo é algo mais recente. No início, meus contos gravitavam o universo adolescente masculino, influência de meus próprios dias de menino. A leitura de autores como Niccolò Ammaniti, Carlos Ruiz Zafón, Khaled Hosseini e John Boyne só reforçaram essa tendência, de modo que escrever sobre Toninho foi algo quase natural.
Já com o pai, Pedro Vieira, o processo de criação foi bem diferente. Para ser franco, na primeira versão do “Pretérito…”, ele era pouco mais que um figurante, alguém cujas características eram referidas apenas de modo indireto. A intenção, na época, foi cobri-lo com uma aura de mistério. Porém, como eu disse antes, a trama às vezes se rebela contra o criador, criando vida própria, com personagens demandando mudanças. Foi o que aconteceu. Ao reler a primeira versão tive a sensação de que faltava algo, que talvez devesse desenvolver mais o pai de Toninho. Discuti a questão com alguns amigos e a sugestão foi que eu desse vazão a essa necessidade.
Escrevi, então, a história de Pedro Vieira. Hoje não consigo conceber o “Pretérito…” sem ele, sem a riqueza de detalhes que permeia sua existência. Embora o foco principal da narrativa continue com Toninho e Cecília, é Pedro quem captura a atenção do leitor ávido por questões filosóficas, com seus inúmeros defeitos, com sua transformação de menino ingênuo em alguém a um passo da monstruosidade.
Para dar-lhe profundidade, busquei inspiração em obras como “O Continente”, de Érico Veríssimo, “Camaradas”, de William Waack, e principalmente em “Olga”, de Fernando Morais. Arrisco a dizer que Pedro é, em maior ou menor grau, alguém que conhecemos, de repente nós mesmos, com nossos pecados, com nossos arrependimentos e com nossa eterna busca por redenção.

 

– É possível perceber, em seus textos, a influência de autores e livros que você encontra afinidade, chegando a comentar isso algumas vezes. Isso ocorre de forma consciente?
Totalmente. Não há autor que consiga se desvencilhar daqueles que admira. Se gostamos de determinada obra ou estilo, inevitavelmente acabaremos por aproveitá-lo. Foi a isso que me referi na resposta da pergunta anterior, sobre os autores que escrevem a respeito do universo adolescente.

 

– E o quanto sua vida está presente na escrita?
Eu diria que 90%. Lugares, pessoas, fatos. Nossa escrita, por mais que resulte em um universo imaginário, reflete nossas próprias experiências. Pelo menos é o que eu acho. Na minha concepção, é isso que torna a história verossímil: falar do que se conhece, especialmente se há dramas pessoais e relações humanas. Obviamente, é dado ao autor ousar – e é até recomendável que o faça – mas se não souber, ou se não pesquisar profundamente sobre o desconhecido, o resultado pode ser ruim. Não há nada pior do que uma narrativa desprovida de credibilidade.

 

– Além de escrever, você mantém o Site Entre Contos, que promove Desafios Literários. As discussões, em torno dos contos que são publicados, colaboraram de alguma forma na construção do seu livro?
Sim, colaboram muito. O Entre Contos é uma experiência que tem se revelado fantástica na medida em que permite a troca de experiências, o aprofundamento de questões técnicas e de mérito e, o mais importante, a lapidação do estilo do autor.
Naturalmente, todo escritor quer ser lido. Chego a pensar que isso vale mais do que dinheiro para quem escreve, afinal, ninguém que tem na escrita o ofício preferido tem a ilusão de se tornar milionário.
O Entre Contos deu certo por causa disso. É um dos poucos lugares em que escritores de todos os níveis têm seus textos examinados, não só sob o aspecto técnico, mas principalmente sob a ótica emocional, sob o impacto que causam.
No que diz respeito a mim, aproveitei, em mais de uma ocasião, para criar contos que de algum modo apresentassem fatos parecidos como aqueles presentes no “Pretérito…”, até para aferir a receptividade do leitor. Quase todos os contos que escrevi para os desafios do EC guardam alguma semelhança com trechos do “Pretérito…”, especialmente as questões filosóficas e as relações interpessoais. “Reconstruindo Sarah Parker”, “Radiação” e “Tábula Rasa” são alguns exemplos.

 

– Houve altos e baixos durante o processo de criação do livro? Alguma hora você pensou em parar de escrevê-lo? O que te motiva?
Escrever um romance é algo que, para mim, demanda muita dedicação. Não pude mergulhar de cabeça no processo de criação do “Pretérito…”, ainda que tivesse bem definida a linha a seguir, porque sua elaboração se deu durante a gravidez e o nascimento de minha segunda filha, a Alice, a quem, aliás, o livro é dedicado.
Evidentemente, custei para terminar o romance. Levei cerca de três anos para completá-lo, desde a concepção original até a versão final, remetida para a Caligo. Apesar desse tempo todo, não posso dizer que houve altos e baixos. Houve, sim, épocas em que eu me permiti dedicar mais tempo ao livro. Mas a ideia, os fatos, a trama, tudo esteve sempre na minha cabeça, embora eu tenha demorado um tanto para colocar tudo no papel.

 

 – O que o leitor deve esperar de Pretérito Imperfeito?
Sinceramente, não pretendi criar uma história redondinha, com questões edificantes ou lições moralmente consagradas. Nada disso. O “Pretérito…” é orgulhosa, ostensiva e propositalmente imperfeito. Minha intenção foi simples: criar uma narrativa que despertasse no leitor curiosidade suficiente para virar a página, para prosseguir, para se envolver na trama.
Em algum ou em outro momento, o leitor haverá de se identificar com os personagens e com as situações, indagando a si mesmo o que faria, qual seria sua própria reação, criando ao mesmo tempo angústia e enlevo.
Foi essa, em suma, a intenção: jogar com as emoções, não deixar o leitor indiferente.

-***-

thata-pereira

Thais Lemes Pereira nasceu em Guarulhos- SP, mas mora atualmente em Cambuquira- MG. Estudante de Jornalismo, desistiu do sonho de cursar Arquitetura para dedicar-se ao que realmente gostava: escrever. É autora do livro de poesias Pensamentos de Outrora (Editora Multifoco), lançado em outubro de 2013. Atualmente escreve o romance “Homicídios Manchados de Rosa”.

Contato: thaislemespereira@yahoo.com.br.

Retornando – Parte 4 – Cronograma dos primeiros meses de 2016 – Novidades na loja virtual e no site da Caligo

Por Bia Machado

Vamos lá!

Enfim, o último post do “Retornando”. É bom poder compartilhar tudo isso com vocês. É uma forma de driblar a ansiedade e um ânimo a mais para que a gente trabalhe para conseguir realizar tudo isso que estamos pensando. Espero que estejam com a gente em todos esses momentos. Uma das coisas que vamos priorizar é a consolidação das vendas pela internet e por meio de pequenas livrarias. Infelizmente, nos últimos meses, pudemos comprovar que grandes livrarias não estão nem um pouco aí para pequenas editoras, mas sobre isso temos uma posição bem definida a respeito: queremos construir o perfil do leitor dos livros que publicamos. E esse leitor é aquele que busca outras alternativas, outros títulos além dos que estão expostos nas prateleiras das “megastores”. Ao publicar obras de qualidade, de autores que merecem ser lidos, estamos pensando também no leitor, em dar a ele a oportunidade de ler sempre um ótimo texto. E aqui estão os livros com os quais pretendemos trabalhar para 2016. E ficaram para 2016 mas, talvez, quem sabe, tenhamos como publicar em 2015? Como dissemos, é uma estimativa de prazo, um planejamento mínimo, mas sabe de uma coisa? Os imprevistos é que dão tom à vida.

– O livro sagrado, romance de Rubem Cabral:

“Em 2058 o Brasil é um país diferente: partidos amalgamados às igrejas ultrapentecostais dominam o cenário político, com larga vantagem sobre os demais. Uma misteriosa epidemia se espalha em populações quilombolas no interior, centros de reeducação ‘recuperam’ gays e outras ovelhas perdidas de volta ao caminho da luz. Drones vigiam a população e o governo prepara-se para, enfim, controlar tudo com mão de ferro após as eleições. Terroristas ateus, programadores de autômatos, imprensa alinhada à fé, um profeta de uma igreja, dirigido pela mão do altíssimo: todas as peças estão dispostas no tabuleiro, porém, quem sobreviverá ao grande confronto entre fé e poder?” – com previsão de publicação para janeiro/2016

– Filhos da guerra, romance de Pedro Viana:

“Guerras sempre me fascinaram, não pelo derramamento de sangue ou mesmo pelos armamentos usados em combate, mas pela ideia do que uma guerra faz com as pessoas. Dos muitos livros e filmes que li e assisti sobre o tema, sempre me fascinei por aqueles que abordam o drama pessoal em meio ao contexto cruel. ‘Filhos da Guerra’, o livro que estou trabalhando, é um space opera onde busco desenvolver mais o conflito interno dos personagens do que o que se desenvolve externamente a eles. São cinco personagens cujas histórias possuem inícios distintos, mas que de alguma maneira se unem durante a guerra.” – com previsão de publicação para março/2016

– Dissolução do finito poético, de Thiago da Silva Prada:

“Poesia e prosa. Este livro é uma dupla experiência de seu autor: o primeiro se refere a uma tentativa de síntese, de micro poesias, na busca de estancar uma hemorragia das palavras e atingir o ponto central com um rápido golpe, afinal, não seria o objetivo final do poeta, o silêncio? Tudo dizer para, enfim, nada mais dizer, o assombro do silêncio perante a vida? Da outra experiência, trata-se de, ao contrário, pelo lirismo do dia a dia, encontrar a esfera da vivência do cotidiano de todos nós, em micro contos, passando pelos diversos temas da vida, como o amor, solidão, velhice, para compor uma elegia da vida anônima e das pequenas coisas do cotidiano.” – com previsão de publicação para maio/2016

– Trajetória Vertical, de Marcelo Pietragalla:

“A poesia é indissociável do poeta. Como um ator, o autor recorta de suas experiências os fragmentos da alma dos versos, e estes compõem um retrato impreciso, esboçado em linhas tímidas, que sugerem o homem por atrás das palavras. Este homem não é o poeta. Como qualquer personagem dramático, as poesias evoluem e revelam nuances que transcendem o autor e constroem uma narrativa paralela em emoções exageradas. A trajetória cronológica das criações não importa, ela se embaralha e trança uma corda por onde o outro nasce, cresce e por fim morre. E a soma da obra se torna a arqueologia de alguém que nunca existiu.” – com previsão de publicação para maio/2016

– Nuances do vazio, de Marcelo Pietragalla e Thiago da Silva Prada:

“O livro é uma parceria entre os autores, com uma dupla produção: poética e fotográfica. A partir do tema do abandono, serão registradas em imagens ambientes que estejam abandonados, objetos e paisagens que tragam a desolação da dos ambientes, nos espaços esquecidos, coisas que são perdidas ou deixadas para trás, ambientes que um dia tiveram vida e agora somente habita o vazio. Com estas imagens, serão feitas poesias, tanto individualmente quanto às duas mãos, na composição para além da imagem, trazendo ideias, sentimentos e reflexões sobre aquilo que o olhar captou.” – com previsão de publicação para maio/2016

Aqui finalizamos então as propostas que temos para os próximos meses.

Sobre o site da Caligo: a partir de semana que vem, daremos continuidade aos textos publicados semanalmente. Temos quatro escritores fixos, mas outros autores colaboram esporadicamente com a coluna. Os textos sairão sempre às quartas-feiras e aos sábados. No final de semana, porém, o texto pode dar lugar a uma entrevista, conforme estamos esquematizando aqui. A Caligo está aberta a qualquer pessoa que queira publicar um texto que verse sobre escrita, leitura, livros, literatura, publicação etc.

Sobre a loja virtual: a partir da próxima semana a loja da Caligo contará com livros de outras casas de publicação e de autores independentes, com as mesmas facilidades de pagamento. Já começamos a dispor livros usados na página do nosso Sebo Virtual, e a partir da próxima semana faremos uma atualização, acrescentando novos títulos. Os livros podem ser comprados pela loja, mas também diretamente pelo email caligo@caligoeditora.com.br, com a possibilidade de promover descontos maiores e outras facilidades.

E é isso. Agradecemos por sua paciência, por ter acompanhado as postagens do “Retornando”. Continue acompanhando nossas postagens no site e na página do Facebook, continue prestigiando nossos autores. Até logo!

Bia Machado é a editora da Caligo. Trabalha como professora e revisora. Tenta escrever para que seus personagens não fiquem tão zangados com ela e não voltem para puxar seu pé de madrugada. Leitora voraz. Cinéfila frustrada. Se pudesse, faria outras coisas mais, mas para quem não tem sangue azul, nem sorte no jogo, isso já está bom, não dá para reclamar. Ou dá? Escreve (ou tenta escrever) no blog Vida e Etcétera a respeito de quase tudo, mas admite que acaba escrevendo mais sobre suas leituras. Contato: magiadaliteratura@gmail.com.