É tempo de comemorar. E de continuar.

Há três anos, em um dia 25 de julho, a Caligo foi criada. Começou a sair do plano das ideias, transformou-se em algo que poderia realmente funcionar. Até ela se tornar uma empresa foram mais de seis meses. Mas desde o Dia Nacional do Escritor de 2012 ela existe. Tem nome, com a ajuda do amigo Vitor Toledo. Tem um slogan, com auxílio da amiga Martha Angelo. Bendito aquele que tem amigos escritores, pois nunca passará aperto na hora de criar algo do tipo! =)

Foi uma gestação de mais ou menos três anos. Três anos pensando a respeito, se valia realmente a pena, diante de tudo o que a gente já sabia do mercado editorial. Não sabíamos muito, até hoje sabemos quase nada. Mas desde aquela época sabíamos o mais importante e amedrontador fato: não seria fácil, pois o mercado editorial brasileiro é cheio de meandros, é território injusto, e quanto menor a editora, quanto menos dinheiro possível de ser investido, mais difícil ainda. Nós, pequenos editores sem dinheiro, seremos loucos, então? Talvez. Provavelmente. Porque mesmo sabendo de todas as dificuldades, a vontade de fazer algo nesse sentido, de publicar livros de autores que julgamos serem merecedores disso, essa vontade era cada vez maior.

Até o começo do ano conseguimos segurar as pontas, fomos indo conforme a maré. Muitas vezes pensamos desistir. Todo dia, aliás. Mas o desejo de continuar também é forte, é imenso. E luta como um gigante dentro de nós. Ah, esse desejo é teimoso!

O que fazer, então? Durante os últimos meses, refletimos muito a respeito do que é, hoje, a Caligo, assim como pensamos muito a respeito do que queremos que a Caligo seja. E chegamos à conclusão de que não podemos pensar que queremos ser uma editora que publica livros de autores nacionais. As possibilidades são maiores se pensamos em publicar textos bons, de bons autores. Porque pensando assim, não importa a forma de edição. Nossa missão é publicar textos, estamos deixando isso bem definido a partir de agora. E é isso o que vamos fazer.

Para os próximos meses, temos então:

– Criação de uma revista digital, gratuita, bimestral, com material produzido por autores selecionados: contos, artigos, matérias. Com isso, queremos fazer com que esses autores, seus textos, e o trabalho da Caligo chegue ao maior número possível de leitores, já que a distribuição de material físico é caro, é complicado, é uma longa história que uma hora a gente explica, e talvez você até conheça essa história de ouvir falar por aí;

– Início da produção de e-books dos livros físicos já editados pela Caligo e antologias e contos avulsos que forem planejados a partir de agora. Ainda estamos vendo a respeito da venda desses e-books, se será pela Amazon ou de outra forma, mas o que sabemos é que os valores serão bem reduzidos, voltando ao ponto: fazer com que os textos desses autores cheguem ao maior número possível de leitores;

– Vamos fazer algumas mudanças aqui no site, por isso desativamos algumas páginas, que retornarão em breve. A intenção é concentrar a venda dos livros aqui, saindo da plataforma da Loja Integrada. Motivo: reduzir custos, pois mesmo a Loja Integrada sendo gratuita até o limite de 50 produtos cadastrados, de cada livro vendido temos uma taxa a pagar para o site, fora a taxa do PagSeguro e BCash. Muito provável então que as vendas se concentrem aqui também, assim poderemos até baixar o preço de capa dos livros físicos. E dos e-books.

– Talvez a Caligo mude de nome de fantasia. O motivo é que ela está registrada como ME, gerando assim muitos custos. Nos próximos meses queremos transferir para MEI, Micro Empreendedor Individual, um custo bem, bem mais reduzido. Mas tudo bem. Parafraseando Shakespeare: o que é um nome? Tudo para não parar no meio do caminho. Vai valer a pena, nós sabemos disso.

Sei lá, esse negócio de fazer livro, de produzir livro, é viciante. Vicia mais que ler, desconfiamos que vicia até mais que escrever. Duvida? Experimente produzir um livro e volte aqui para descrever a sensação desse processo. Depois do primeiro, você não consegue mais parar, e se parar, será algo inesquecível, do qual sempre se lembrará. Não dizem que a leitura dos livros muda as pessoas? Pois editá-los também.

E afinal, parar algo que significa tanto para nós, para quê? Por quê? Nessas horas vale mais dar um passo para trás, ou parar um pouco à beira do caminho para tomar um fôlego e depois seguir em frente. Somos loucos por essa coisa de livro e está certo, você já entendeu isso. Então a gente para hoje por aqui, evitando repetições.

Até o próximo informe!

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Eu, uma editora com TPI

Por Bia Machado

Egg timer smashing open

Quando aceito essa brecha, a vozinha interior até fica contente comigo: “Boa menina”. E não perde a oportunidade de me alfinetar: “Que tal dormir mais cedo hoje?” Hum, aí já é pedir demais.

 

É muito bom trabalhar com livros. Falar sobre eles, planejar, pensar em capa, revisar, escrever (claro), mas confesso, sofro de TPI: Tensão Pré-Impressão. Sim, nesses dias em que quatro livros publicados pela Caligo estão indo para a gráfica, quase na deadline, tento dizer a mim mesma que há tempo de folga. Porém, costumo duvidar de minha própria vozinha interior, aquela coisa: confiar desconfiando! Juro que se a gráfica fosse aqui na cidade, eu iria todo santo dia até lá, perguntaria se, por acaso, assim como quem não quer nada,  eles não gostariam de uma ajudazinha, de alguma forma e… É, melhor mesmo que ela esteja em outro estado.

Assumo meus defeitos e minhas neuras. Sou superpreocupada com esse negócio de prazo. Talvez porque às vezes a procrastinação chega assolando todas as minhas vontades, ou quase todas. Sobrevivem a vontade de escrever, de ler, e sempre sobreviverá a de ficar ao lado das pessoas queridas. Hoje mesmo, eu querendo terminar a revisão do miolo de um dos livros e o sono – acumulado – não querendo me dar trégua. Marido me chama pra jantar, eu não respondo nada e ele diz: “Vai jantar depois, né? Quando terminar a última página”. Aquelas palavras fizeram com que eu despertasse de alguma forma. Chamei todo mundo para a mesa e ficamos lá, falando da vida, sem a menor culpa. E foi bom curtir isso, nessas últimas duas semanas o que mais fiz foi ficar distante deles, em momentos em que não deveria ficar. Ainda bem que eles conseguem abrir uma brecha nesse meu momento de TPI. Quando aceito essa brecha, a vozinha interior até fica contente comigo: “Boa menina”. E não perde a oportunidade de me alfinetar: “Que tal dormir mais cedo hoje?” Hum, aí já é pedir demais. Justo agora que uma ideia surgiu para o Desafio do EntreContos? Justo agora que estou querendo terminar as últimas páginas de uma leitura da qual estou gostando tanto?

Curioso é que na maior parte do tempo pareço estar tranquila, no mais absoluto controle: “Calma, tem tempo. Vai dar tudo certo. Tá no prazo ainda”. Até eu mesma quase acredito. Alguns podem dizer: “Mas tinha que ser assim mesmo, afinal é quase só você pra tudo”. Enquanto isso, chegam diariamente e-mails e e-mails de revisores, tradutores, capistas, todo mundo querendo trabalhar com a Caligo. É, mas ainda não dá, por um bom tempinho – não disse longo, mas bom, vejam a diferença – a Caligo ainda continuará nesse ritmo. Apesar de tudo, eu precisava sentir na pele esse desespero, loucura, insanidade toda que é lançar vários livros de uma vez só. Uma das mudanças para 2015 é repetir como um mantra o lema: “Um livro de cada vez”. Até porque não dá pra ter tranquilidade trabalhando com mais de um, ao mesmo tempo. Aliás, no próximo texto conto o que estou planejando para a Caligo 2015.

Deve haver alguma parte do cérebro que controla nossa vontade por querer fazer (quase) tudo ao mesmo tempo, e da melhor forma possível. Algo me diz que tenho um leve distúrbio nessa parte da anatomia. Bem, enquanto não encontram a cura (e sei lá se quererei ser curada…), vou tentando me controlar, mas não muito, para evitar uma reação alérgica. 😉

P.S.: Como puderam perceber, não foi hoje que dormi cedo.

É a editora da Caligo. Trabalha como professora e revisora. Tenta escrever para que seus personagens não fiquem tão zangados com ela e não voltem para puxar seu pé de madrugada. Leitora voraz. Cinéfila frustrada. Se pudesse, faria outras coisas mais, mas para quem não tem sangue azul, nem sorte no jogo, isso já está bom, não dá para reclamar. Ou dá? Escreve (ou tenta escrever) no blog Vida e Etcétera a respeito de quase tudo, mas admite que acaba escrevendo mais sobre suas leituras. Contato: magiadaliteratura@gmail.com.

Adeus, Orkut, onde quase tudo começou

Por Bia Machado

 

[…] é preciso aprender com críticas que sejam coerentes, e aprender a separar o coerente do incoerente, tendo a consciência de que qualquer rede social tem os seus defeitos. Foi o que sempre tentei fazer e recebi muitas opiniões e comentários valiosos.

Sim, o Orkut está dando adeus em definitivo, resta-lhe pouco tempo. Porém, quantas recordações ele vai deixar! Sou uma das pessoas que nunca vai esquecer essa rede social que me aproximou ainda mais dos livros, da escrita, da leitura, ainda mais do que eu já era próxima, por incrível que pareça. Já fiz backup das fotos, assim como já tinha feito da parte escrita. As lembranças, guardo na memória e sigo em contato com as amizades que sobrevivem ao seu término e que farei o possível para que perdurem.

Quando o Orkut começou, confesso que não dei muita bola. Os blogs e outros sites supriam minha vida virtual, mas é uma pena que, dessa época efervescente da blogosfera, poucas amizades (sim, virtuais, mas amigos) restaram. O que me levou  a entrar nessa rede social, então? Em primeiro lugar, as comunidades literárias! A primeira de todas: Agatha Christie Brasil. Finalmente eu podia conversar com alguém de fora do meu cotidiano sobre essa escritora que é uma das que mais admiro, coisa de infância mesmo. Encontrei comunidade sobre Stephen King, sobre Ficção Científica, de Amantes do Romance Policial, de Resenhas Literárias, de Contos Fantásticos, de Escritores Amadores, de Histórias e Contos de Terror. Claro que participava de outras que nada tinham a ver com esse universo, mas as que me marcaram foram aquelas em que a escrita, a leitura, os livros eram o foco. Elas alimentaram minha vontade de finalmente terminar algo que escrevi, fizeram com que eu perdesse a vergonha de mostrar meus escritos aos outros, e até mesmo de ser publicada. Uma coisa maravilhosa foi ter conhecido tantas pessoas, e ter mantido contato com elas até hoje, e espero que sempre, tantas pessoas com quem posso dividir essa paixão pelos livros, essa vontade de estar com eles, de trabalhar com eles. Feliz por terem passado para o lado real da minha vida, junto com a Caligo, pessoas como Fabio Shiva, Angélica Bernardino, Amadeu Jr. (o primeiro leitor beta), Cintya e Cláudio Veiga (o primeiro a criticar um texto meu de uma forma que fez com que eu me sentisse em plena final de um concurso literário, como faz até hoje), Vitor Toledo, Rubem Cabral, Fernando de Abreu Barreto, Marcelo Amado e Celly Borges, Teresa Fiore, Pedro Viana, Martha Angelo, Hosana Alves, Gustavo Araujo, Glaucia Fortes, e tantos outros, felizmente muitos!

Meus primeiros contos, de terror, foram publicados sob demanda, é verdade, mas esse foi o primeiro passo para eu entender como essa tal publicação podia acontecer e dela tirar minhas conclusões (que ficam para outro artigo). Foi durante os debates a respeito de livros, do mercado editorial, dos posts de chamadas para submissão de contos que a Caligo foi tomando forma. Sim, não nego e não sinto qualquer tipo de vergonha ao afirmar isso. Por quê? Por ter visto que era possível, sim, tentar. Por ter visto que as dificuldades são muitas, mas onde existe só facilidade nessa vida? Sempre considerei que tudo que vem fácil demais, não dá certo, não dá satisfação suficiente. Não foi o pensamento de que “puxa, vou ganhar dinheiro com essa coisa de fazer livro, tá na moda publicar sob demanda, tá fácil arrancar dinheiro de escritor que está louco pra publicar”, mas sim: “Ei, eu quero fazer isso, acho que consigo fazer e até melhor. E será bacana, será um desafio. E isso vai me trazer satisfação, nem que eu publique apenas um livro, vai ser muito bom poder ajudar um autor a realizar isso”, e outras (muitas) coisas mais.

Ou seja, o Orkut me mostrou um lado da produção editorial que eu, apenas leitora, nunca tinha me dado conta que existia, o lado das médias e pequenas editoras (e, por que não, dos autores independentes?) que trabalham muito, mas conseguem atingir seus objetivos. Para mim, na época, editoras eram grandes empresas, poderosas, com muito dinheiro para colocar um livro no mercado, imagine como autora! Jamais cogitara a ideia de enviar um manuscrito meu para qualquer uma dessas poderosas, para mim não haveria nunca uma chance. Claro que, de qualquer forma, independente do tamanho, há editoras e editorasmas a ideia de que trabalhar com livros não tendo a grana e o poder das grandes é totalmente possível, não é apenas pura ficção.

Participar por cerca de dois anos das comunidades Contos Fantásticos, da Histórias, Contos de Terror e da Eu Sou Escritor Amador principalmente me ajudaram com a parte de escrever sabendo que não seria apenas eu a leitora, mas que haveria outros leitores. Leitores que só chegariam ao final do seu texto, fragmentado em pequenos posts, se o enredo fosse realmente interessante. Leitores que, mesmo o texto sendo ruim, leriam até o final e nesse caso… Bem, é preciso aprender com críticas que sejam coerentes, e aprender a separar o coerente do incoerente, tendo a consciência de que qualquer rede social tem os seus defeitos. Foi o que sempre tentei fazer e recebi muitas opiniões e comentários valiosos. Hoje esse trabalho de escrita de contos de vários autores e comentários por meio de desafios mensais tem sido levado adiante por outros, como é o caso do nosso parceiro e também autor, Gustavo Araujo, com o site EntreContos.

Enfim, adeus, Orkut. Foi bom enquanto durou. A gente fica por aqui, dando continuidade a essa coisa que foi tão bacana, o suficiente para ficar marcado com tanta força, e tanto carinho.

É a editora da Caligo. Trabalha como professora e revisora. Tenta escrever para que seus personagens não fiquem tão zangados com ela e não voltem para puxar seu pé de madrugada. Leitora voraz. Cinéfila frustrada. Se pudesse, faria outras coisas mais, mas para quem não tem sangue azul, nem sorte no jogo, isso já está bom, não dá para reclamar. Ou dá? Escreve (ou tenta escrever) no blog Flor do Cotidiano a respeito de quase tudo, mas admite que acaba escrevendo mais sobre suas leituras. Contato: magiadaliteratura@gmail.com.

Post Scriptum: escrevi o livro, e agora?

 

Por Bia Machado

Duas, três pessoas atuando nessa parte de revisão ajudam a diminuir os erros, as pontas soltas. Ainda assim, falhas podem acontecer? Com certeza. Só que precisam ser evitadas ao máximo.

É quase inacreditável: depois de tanto tempo, de horas intermináveis em frente ao monitor, ou às vezes escrevendo em papel mesmo, perdendo o sono, deixando outras coisas de lado, finalmente eis o dia que parecia tão, tão distante: você coloca o ponto final na história que estava escrevendo. Sua obra está pronta.

Sinto informar que não é bem assim.

A não ser que esteja escrevendo para você mesmo, assim que o escritor dá por findo o seu trabalho de produção textual, há outras ações com relação ao original que tem em mãos. Há um longo caminho até que sua história seja publicada, mas neste artigo tratarei dos primeiros três passos por mim considerados após a finalização da parte que cabe apenas ao autor: a leitura beta, a leitura crítica e a preparação textual.

– Leitura beta: apesar de essa função poder ser feita durante a leitura crítica, não acho adequado e explico o motivo: o leitor beta, o primeiro leitor do livro depois do próprio autor, é aquele que não vai se preocupar com mais nada, a não ser ler, diferente do que um leitor crítico necessita fazer. Sim, ele vai ler o livro como se o tivesse comprado, para dizer exatamente o que sentiu com a leitura, como qualquer leitor poderia fazer, funciona como um termômetro para a história concebida. E para que isso aconteça, é importante que existam diversos leitores beta: homens, mulheres, de faixas etárias diferentes, com a intenção de analisar: que público sentirá mais afinidade pelo que escrevi? Meu texto agrada tanto a adolescentes quanto a adultos? Consigo cativar somente o público feminino, ou também o masculino? Se for um livro infantil, ou infanto-juvenil, por exemplo, quais faixas etárias se interessarão por ele? Definidos os betas, aconselho a fazer um contrato simples, ainda que o original já esteja registrado, para garantir futuras complicações, como o leitor sair comentando por aí sobre o seu livro, por exemplo. Você pode até pensar: mas se eu o escolhi como beta, é porque confio nele. Exatamente. Mas nunca se sabe do amanhã. Vai que… E aí outra questão: betas devem ser amigos ou familiares, pois seriam as pessoas em quem mais confio? Até que podem, mas é preciso exigir deles sinceridade e imparcialidade. Na dúvida sobre a franqueza, é melhor pedir que outros leiam. Há pessoas que cobram para fazer leitura beta, e se você recorre aos amigos e parentes apenas por questão de economia, cuidado: às vezes (muitas vezes) o barato sai caro. Pese tudo na balança e não jogue fora todo o seu trabalho de meses (ou anos) apenas por esse detalhe. E também há o beta contratado pela editora para esse fim.

Após essa etapa, o autor deve estar certo a respeito de o livro ser bom ou não para o público, e para qual (ou quais) deles. Se está ruim, ou se não está tão bom quanto poderia, já é possível fazer algumas alterações com base nas impressões desses primeiros leitores. Depois disso, quem entra em cena deve ser o leitor crítico.

– Leitura crítica: essa é a parte em que há um trabalho efetivo no sentido de direcionar o autor para as mudanças que se fazem necessárias no texto. É ele quem vai deixar de lado a leitura “por prazer”, “descompromissada” com a parte técnica, para se aprofundar justamente nessa questão, a técnica utilizada: como está a técnica narrativa? A voz do narrador está adequada? Os personagens estão bem desenvolvidos? Quais precisam de um trabalho mais consistente? Como os diálogos se apresentam? Há partes que não funcionam, que parecem não combinar com outras? Há falhas na sequência? Além de apontar essas questões, o leitor crítico precisa também auxiliar o autor com sugestões de como tudo isso pode ser trabalhado. E se um leitor beta tiver feito todo esse trabalho, na verdade ele deixou de ser beta, ele agiu como um leitor crítico. Nesse caso, acredito ser inadequado que essa parte do trabalho seja feita por um amigo querido ou pela prima fã de seus escritos. Procure um profissional confiável, que vai receber por isso. E exija um retorno com propriedade, que o deixe mais seguro quanto ao que deve ser feito posteriormente.

Depois dessa etapa, autor, mãos à obra novamente. Sim, aquela história de que escrever é 1% de inspiração e 99% de transpiração é totalmente verdade! A etapa seguinte é a de submeter o seu original a um preparador de texto.

– Preparação textual: é o profissional que deve detectar as falhas que não foram encontradas anteriormente. Reorganizar o que for preciso, eliminar também o que realmente não dá, revisar a parte de coesão e coerência. O preparador também precisa já formatar em um padrão editorial o texto trabalhado, o que não é necessário nas etapas anteriores. Com seu trabalho, o texto do autor deve ganhar um aspecto profissional. Quando o preparador de texto trabalha para apontar falhas em traduções, este trabalho costuma ser chamado de copidesque, mas às vezes essa distinção de termos não ocorre.

Tudo isso também depende de editora para editora. É comum o revisor fazer a leitura crítica e a preparação de texto. O bom é que mais de um profissional faça os dois últimos processos. Duas, três pessoas atuando nessa parte de revisão ajudam a diminuir os erros, as pontas soltas. Ainda assim, falhas podem acontecer? Com certeza. Só que precisam ser evitadas ao máximo.

No próximo Post Scriptum tecerei algumas considerações sobre o revisor de originais, aquele profissional grudado com o dicionário o dia inteiro, que faz juras de amor eternas à gramática. Ou quase. Até parece!

P.S.: Não tive tempo para pedir a alguém que revisasse esse meu texto. A quem se propôs a ser meu leitor beta, grata! 😉

É a editora da Caligo. Trabalha como professora e revisora. Tenta escrever para que seus personagens não fiquem tão zangados com ela e não voltem para puxar seu pé de madrugada. Leitora voraz. Cinéfila frustrada. Se pudesse, faria outras coisas mais, mas para quem não tem sangue azul, nem sorte no jogo, isso já está bom, não dá para reclamar. Ou dá? Escreve no blog Flor do Cotidiano quando sobra um tempinho… Contato: magiadaliteratura@gmail.com.

RedruM: processo criativo e balanço geral

RedRum

Por Bia Machado

Escritores têm seus afazeres, e não é sempre que a inspiração bate à porta para certo trabalho. […] E aos que pensam que descartaremos os outros 98% de contos enviados, ledo engano: temos ideias para mais duas antologias. No mínimo.

Desde o início da Caligo havia a intenção de se fazer uma antologia. Mas aí vocês me perguntam: ué, mas e a Antologia “!”? Claro que a “!” é uma antologia, mas em moldes um pouco diferentes, já que ela veio (quase) pronta para a Caligo, faltando a parte de editoração, mas nunca passou pela minha cabeça fazer qualquer seleção para ela, visto que este livro nasceu como um projeto entre escritores que publicavam textos frequentemente na extinta e saudosa comunidade “Contos Fantásticos”, do Orkut. Foi um risco, mas foi mais que isso, foi a concretização de um projeto muito bacana, do qual me orgulho muito em participar de várias formas, inclusive como escritora.

Pois é, no caso da RedruM, o processo foi bem diferente. Ela nasceu da minha leitura do conto Segunda Sombra, do Vitor Toledo. A partir dessa leitura, comecei a pensar um monte de coisas que não me deram sossego. A proposta, a princípio, seria a do Vitor alongar essa história, fazendo uma novela, um romance. Mas admitindo, “Segunda Sombra” funciona muito bem, bem mesmo, como um conto. Então pensei: que tal criar uma antologia de contos no mesmo estilo, mesma temática, compondo uma antologia bacana?

E é claro que pensei em convidar autores que gostaria que participassem. A minha intenção era evitar um processo de seleção. Por quê? Primeiro, para utilizar autores que já conhecia, e não vejo mal nisso, e segundo, para trabalhar com pessoas com quem tinha curiosidade em trabalhar. Sim, chamei autores da Antologia “!” para participar, assim como chamei autores de outras editoras. Expliquei certinho como deveria ser o conto, o perfil dele, prazo, tudo. Mas autores são humanos, ué, quem ainda duvida disso? Sim, tem gente que duvida, gente que acha que escritor é um ser do outro mundo, uma fada, um extraterrestre, um ser divino. Escritores têm seus afazeres, e não é sempre que a inspiração bate à porta para certo trabalho. Dos seis escritores convidados, somente dois conseguiram realizar a tarefa de produzir contos, dentro da temática. Tínhamos, então, três contos muito bons já certos, contando com o conto do organizador:

A Marca (Fabio Shiva)

A Vidente (Pedro Viana)

Segunda Sombra (Vitor Toledo)

Janeiro começou e uma das convidadas apresentou um conto, mas que não se encaixava totalmente em enredo e tamanho. Acabamos por abrir seleção para a RedruM, e como não sabíamos se os outros convidados ainda enviariam os seus, colocamos que selecionaríamos ATÉ três contos. Vitor, como organizador, ficou totalmente responsável por ler os contos e separar os que achava que se enquadravam no que planejamos para a antologia. Finalmente, no dia 15 de março, o envio foi encerrado e tínhamos mais de 160 contos inscritos. Muitos, muitos, muitos bem mais curtos.

Tínhamos em mente um número “x” de contos para comporem a antologia, sendo 6 ou 7. Se escolhêssemos muitos textos curtos, embora bons, o número de contos aumentaria e teríamos muitos autores participando, o que não queríamos que acontecesse. Muitos autores participando em uma antologia demandam um trabalho bem maior, o que dificulta no caso da Caligo, em que quase todas as funções são ainda realizadas por mim, deixando apenas a parte gráfica para o Pedro Viana (sim, um dos autores convidados, que surpreendeu positivamente com seu conto A Vidente, em todos os sentidos, aguardem para ler!) e o trabalho externo (banco, correio) para um auxiliar administrativo (também conhecido aqui em casa como meu marido, hehe!).

No começo da semana passada, recebi do Vitor os nomes de sete textos para desses escolher dois, três ou até quatro, dependendo do tamanho. E uns 25 outros menores, bons, mas que se encaixavam menos na proposta da RedruM, menos do que os primeiros sete. Escolhi quatro, e ficamos eu e Vitor analisando. Um desses quatro, no caso, apesar de bem escrito, repetia o mote dos outros. Foi isso que baseou nossa escolha sobre os três outros:

A Noiva Liberdade (José Geraldo Gouvêa)

Refração (Diogo Bernadelli)

Uma Noite no Farol (Andre Zanki Cordenonsi)

Ficamos felizes por poder escolher um autor que já é “da casa”, por mérito próprio. Refração tem uma narração perturbadora. Ou várias narrações perturbadoras, hehehe… Igualmente ficamos felizes em receber o conto A Noiva Liberdade. Um conto que transborda humanidade, parece estranho dizer isso, mas as personagens são tão humanas, nos cativam com seus conflitos, é como dissemos no edital: o assassino poderia ser um parente próximo, ou o seu vizinho. Quem poderia supor? E quanto a Uma Noite no Farol, do Cordenonsi, posso dizer que não fica nada, nada a dever a Sherlock, ou Dupin, como bem lembrou Vitor. Todos os méritos ao Andre. E muita sorte a nossa, de poder contar com esse texto para compor a RedruM.

E confessando: eu ia participar da RedruM “apenas” como editora e revisora. Porém, com a leitura dos contos, uma ideia tentadora surgiu-me. Não vou me privar de passar para o editor de texto o conto que já está todo em minha mente e em apontamentos feitos no bloco de notas. Faltava-lhe um nome, mas hoje esse “detalhe” (importantíssimo) foi resolvido, com a ajuda de autores-consultores-amigos. De modo queRedruM terá 7 contos:

A Marca (Fabio Shiva)

A Noiva Liberdade (José Geraldo Gouvêa)

A Vidente (Pedro Viana)

Benevolência (Bia Machado)

Refração (Diogo Bernadelli)

Segunda Sombra (Vitor Toledo)

Uma Noite no Farol (Andre Zanki Cordenonsi)

E aos que pensam que descartaremos os outros 98% de contos enviados, ledo engano: temos ideias para mais duas antologias. No mínimo. Quanto mais pudermos utilizar os bons textos que recebemos, faremos isso. Além de ideias para antologias, vamos começar a publicar contos avulsos em e-book também. Oportunidades não faltarão aos textos que tivemos dó em deixar de lado na RedruM. Não deixem de acompanhar nossas atualizações e saber o que está por vir! 😉

É a editora da Caligo. Trabalha como professora e revisora. Tenta escrever para que seus personagens não fiquem tão zangados com ela e não voltem para puxar seu pé de madrugada. Leitora voraz. Cinéfila frustrada. Se pudesse, faria outras coisas mais, mas para quem não tem sangue azul, nem sorte no jogo, isso já está bom, não dá para reclamar. Ou dá? Escreve no blog Flor do Cotidiano quando sobra um tempinho… Contato: magiadaliteratura@gmail.com.

Entre o básico e o maravilhoso: um ano de Caligo

Por Bia Machado

Quero trabalhar até quando não der mais para pensar, ou me mover. E quando não puder mais fazer essas coisas, quero estar entre pessoas queridas (amigos verdadeiros e família) e no meio de objetos preciosos (os livros, de preferência aqueles aos quais ajudei a publicar).

Olha eu aqui, finalmente trazendo um texto para a coluna semanal da Caligo.  E a “culpa” por isso é o aniversário de um ano desta editora que finalmente consegui fazer sair do papel. Mas o que isso significa, afinal?

Nunca escondi que comecei a Caligo sem dinheiro nenhum, embora ela não seja uma empresa que tenha nascido da noite para o dia. Há mais de quatro anos venho pensando comigo: o que gostaria de fazer, se certo dia saísse de uma vez por todas da sala de aula? Sim, eu sou professora e por opção, muito antes de ser revisora, ou editora. Tenho que admitir, porém, que não me agradava nem um pouco a ideia de abrir uma editora somente com a vinda da aposentadoria. Até porque não penso em me aposentar. Quero trabalhar até quando não der mais para pensar, ou me mover. E quando não puder mais fazer essas coisas, quero estar entre pessoas queridas (amigos verdadeiros e família) e no meio de objetos preciosos (os livros, de preferência aqueles aos quais ajudei a publicar).

Sempre pensei na Caligo assim mesmo: uma editora que pudesse ajudar um (bom) escritor nacional a publicar um (bom) livro.  E que bom livro, por exemplo? Um livro bem escrito para o seu público leitor (há vários desses públicos), seja o público que for, mas que esse livro acompanhe a minha ideia de qualidade. Claro, como editora eu tenho que ter essa ideia, tenho que assumir e tenho que, acima de tudo, defender as obras publicadas pela Caligo, tão ou mais do que seus próprios autores. Não poderia ser diferente.

E sei que o que aconteceu nesse um ano de Caligo ainda é pouco. Porém, preciso ser realista. O problema da teimosia em começar um negócio sem ter o mínimo de dinheiro suficiente para tal coisa é só um: o dinheiro é necessário para se ir além do básico. E, durante algum tempo, talvez o básico seja suficiente, até o momento em que você tem que admitir que ele precisa ser deixado de lado, como quando sempre comemos a mesma comida, mas chega uma hora em que aquilo, ainda que saboroso, já “não desce” mais. O problema é que o “básico” é insosso. Não deixa saudade.

Claro que preciso mostrar o quanto sou agradecida pelas coisas boas desse primeiro ano “básico” da Caligo:

a) Publicar dois livros com os quais me envolvi mais do que uma editora poderia se envolver. Isso foi muito bom, porque desses dois livros fui leitora, revisora, diagramadora até, pela necessidade do momento. Dei de mim o melhor que podia, sabendo que muitas vezes e para muitas pessoas isso possa não ter sido suficiente.

b) Estar junto com outras pessoas, os autores, compartilhando ideias, planos e sonhos. E no caso da Antologia “!” poder conhecê-los pessoalmente! Um dia que deixou uma saudade boa, daquelas que fazem a gente se esforçar para que se repitam. E se repetirão, mais vezes do que achávamos que seria possível acontecer.

c) Receber elogios sobre a qualidade do que foi publicado. Uma das melhores coisas, pois é um elogio que alcança o coletivo: o escritor, o editor, o capista, o diagramador, o revisor, a gráfica, aquele que leu e indicou para os outros só por ter gostado, sem mais nenhum interesse.

Não adianta elencar as coisas que não foram tão boas assim. Até porque elas acontecem, fazem parte do pacote de qualquer editora, seja grande ou pequena. Essas coisas servem apenas para serem superadas, leve o tempo que for. Posso até não demonstrar, e muitas vezes alardear uma indignação, mas não perco a vontade de prosseguir, procurando deixar o “básico” cada vez mais longe dos projetos da Caligo.

Gostaria de dizer que em 2014 a Caligo vai, finalmente, conseguir colocar os livros publicados nas prateleiras da maior quantidade possível de livrarias físicas e virtuais. Só que eu não posso prometer uma coisa que não depende de mim, do meu desejo como editora. Às vezes tenho a impressão de que as pessoas acham que é por minha vontade (ou pela falta dela) que não podem comprar em “certas grandes livrarias por aí” os exemplares das obras que saíram pela Caligo, mas… É uma longa história, então o melhor é conseguir driblar isso. Como? Bem, fica para um próximo artigo, quando eu conseguir juntar todo o humor necessário para não torná-lo tão amargo quanto receio que ele possa se tornar. E de coisas amargas essa vida está cheia.

No mais, só espero que você continue nos acompanhando. Obrigada pelos mais de 3.000 acessos ao site nesses dois primeiros meses de existência, obrigada por ler nossos autores e por divulgar os textos desse pessoal tão talentoso. Vocês estão além do “básico”. Voltem sempre! Ou melhor, não nos deixem nunca!

É a editora da Caligo. Trabalha como professora e revisora. Tenta escrever para que seus personagens não fiquem tão zangados com ela e não voltem para puxar seu pé de madrugada. Leitora voraz. Cinéfila frustrada. Se pudesse, faria outras coisas mais, mas para quem não tem sangue azul, nem sorte no jogo, isso já está bom, não dá para reclamar. Ou dá? Escreve no blog No Paraíso de Borges a respeito de seu assunto preferido, alguém arrisca um palpite sobre que assunto é esse? Contato: magiadaliteratura@gmail.com.