É tempo de comemorar. E de continuar.

Há três anos, em um dia 25 de julho, a Caligo foi criada. Começou a sair do plano das ideias, transformou-se em algo que poderia realmente funcionar. Até ela se tornar uma empresa foram mais de seis meses. Mas desde o Dia Nacional do Escritor de 2012 ela existe. Tem nome, com a ajuda do amigo Vitor Toledo. Tem um slogan, com auxílio da amiga Martha Angelo. Bendito aquele que tem amigos escritores, pois nunca passará aperto na hora de criar algo do tipo! =)

Foi uma gestação de mais ou menos três anos. Três anos pensando a respeito, se valia realmente a pena, diante de tudo o que a gente já sabia do mercado editorial. Não sabíamos muito, até hoje sabemos quase nada. Mas desde aquela época sabíamos o mais importante e amedrontador fato: não seria fácil, pois o mercado editorial brasileiro é cheio de meandros, é território injusto, e quanto menor a editora, quanto menos dinheiro possível de ser investido, mais difícil ainda. Nós, pequenos editores sem dinheiro, seremos loucos, então? Talvez. Provavelmente. Porque mesmo sabendo de todas as dificuldades, a vontade de fazer algo nesse sentido, de publicar livros de autores que julgamos serem merecedores disso, essa vontade era cada vez maior.

Até o começo do ano conseguimos segurar as pontas, fomos indo conforme a maré. Muitas vezes pensamos desistir. Todo dia, aliás. Mas o desejo de continuar também é forte, é imenso. E luta como um gigante dentro de nós. Ah, esse desejo é teimoso!

O que fazer, então? Durante os últimos meses, refletimos muito a respeito do que é, hoje, a Caligo, assim como pensamos muito a respeito do que queremos que a Caligo seja. E chegamos à conclusão de que não podemos pensar que queremos ser uma editora que publica livros de autores nacionais. As possibilidades são maiores se pensamos em publicar textos bons, de bons autores. Porque pensando assim, não importa a forma de edição. Nossa missão é publicar textos, estamos deixando isso bem definido a partir de agora. E é isso o que vamos fazer.

Para os próximos meses, temos então:

– Criação de uma revista digital, gratuita, bimestral, com material produzido por autores selecionados: contos, artigos, matérias. Com isso, queremos fazer com que esses autores, seus textos, e o trabalho da Caligo chegue ao maior número possível de leitores, já que a distribuição de material físico é caro, é complicado, é uma longa história que uma hora a gente explica, e talvez você até conheça essa história de ouvir falar por aí;

– Início da produção de e-books dos livros físicos já editados pela Caligo e antologias e contos avulsos que forem planejados a partir de agora. Ainda estamos vendo a respeito da venda desses e-books, se será pela Amazon ou de outra forma, mas o que sabemos é que os valores serão bem reduzidos, voltando ao ponto: fazer com que os textos desses autores cheguem ao maior número possível de leitores;

– Vamos fazer algumas mudanças aqui no site, por isso desativamos algumas páginas, que retornarão em breve. A intenção é concentrar a venda dos livros aqui, saindo da plataforma da Loja Integrada. Motivo: reduzir custos, pois mesmo a Loja Integrada sendo gratuita até o limite de 50 produtos cadastrados, de cada livro vendido temos uma taxa a pagar para o site, fora a taxa do PagSeguro e BCash. Muito provável então que as vendas se concentrem aqui também, assim poderemos até baixar o preço de capa dos livros físicos. E dos e-books.

– Talvez a Caligo mude de nome de fantasia. O motivo é que ela está registrada como ME, gerando assim muitos custos. Nos próximos meses queremos transferir para MEI, Micro Empreendedor Individual, um custo bem, bem mais reduzido. Mas tudo bem. Parafraseando Shakespeare: o que é um nome? Tudo para não parar no meio do caminho. Vai valer a pena, nós sabemos disso.

Sei lá, esse negócio de fazer livro, de produzir livro, é viciante. Vicia mais que ler, desconfiamos que vicia até mais que escrever. Duvida? Experimente produzir um livro e volte aqui para descrever a sensação desse processo. Depois do primeiro, você não consegue mais parar, e se parar, será algo inesquecível, do qual sempre se lembrará. Não dizem que a leitura dos livros muda as pessoas? Pois editá-los também.

E afinal, parar algo que significa tanto para nós, para quê? Por quê? Nessas horas vale mais dar um passo para trás, ou parar um pouco à beira do caminho para tomar um fôlego e depois seguir em frente. Somos loucos por essa coisa de livro e está certo, você já entendeu isso. Então a gente para hoje por aqui, evitando repetições.

Até o próximo informe!

Mudanças, mudanças… 2015 vem aí!

Olá! Temos dois motivos para estar aqui hoje: um deles é agradecer a você que nos acompanhou durante o ano de 2014, e a você que chegou agora, esperamos que ambos continuem com a gente em 2015.

O segundo motivo é avisar que estamos fazendo mudanças em nosso sistema de trabalho para o próximo ano. Como assim? Bem, nós sempre dissemos que não cobraríamos nada do autor para publicação, e isso é o que continuamos defendendo ser o melhor, o nosso objetivo. Infelizmente, por motivos que não precisamos citar agora porque já deixamos explícitos em posts, em entrevistas e tudo mais, vamos passar a trabalhar mais como assessoria de publicação. Sim, continuaremos publicando livros que queremos publicar, mas a maioria será nesse sistema de assessoria, que vamos explicar melhor em um próximo post, ainda nessa semana. Os livros que já anunciamos estão confirmados, porém não poderemos mais precisar uma data. Tudo vai depender de dinheiro disponível para a publicação e de tempo também, ou seja, tudo vai ser repensado da forma mais viável possível para editora e autor. Dessa forma, encontramos um jeito de continuar, mesmo enfrentando muitos problemas pela grana curta e pela dificuldade geográfica. É, e você achando que o mais difícil de um livro era escrevê-lo, não? Escrever e ler são as partes mais divertidas, então continuem, continuem escrevendo e continuem lendo bons livros. A gente continua por aqui, bem devagar, mas sempre, tentando auxiliar autores com seus textos cada vez melhor.

Feliz Ano Novo!

Caligo Editora

Retornando – Parte 4 – Cronograma dos primeiros meses de 2016 – Novidades na loja virtual e no site da Caligo

Por Bia Machado

Vamos lá!

Enfim, o último post do “Retornando”. É bom poder compartilhar tudo isso com vocês. É uma forma de driblar a ansiedade e um ânimo a mais para que a gente trabalhe para conseguir realizar tudo isso que estamos pensando. Espero que estejam com a gente em todos esses momentos. Uma das coisas que vamos priorizar é a consolidação das vendas pela internet e por meio de pequenas livrarias. Infelizmente, nos últimos meses, pudemos comprovar que grandes livrarias não estão nem um pouco aí para pequenas editoras, mas sobre isso temos uma posição bem definida a respeito: queremos construir o perfil do leitor dos livros que publicamos. E esse leitor é aquele que busca outras alternativas, outros títulos além dos que estão expostos nas prateleiras das “megastores”. Ao publicar obras de qualidade, de autores que merecem ser lidos, estamos pensando também no leitor, em dar a ele a oportunidade de ler sempre um ótimo texto. E aqui estão os livros com os quais pretendemos trabalhar para 2016. E ficaram para 2016 mas, talvez, quem sabe, tenhamos como publicar em 2015? Como dissemos, é uma estimativa de prazo, um planejamento mínimo, mas sabe de uma coisa? Os imprevistos é que dão tom à vida.

– O livro sagrado, romance de Rubem Cabral:

“Em 2058 o Brasil é um país diferente: partidos amalgamados às igrejas ultrapentecostais dominam o cenário político, com larga vantagem sobre os demais. Uma misteriosa epidemia se espalha em populações quilombolas no interior, centros de reeducação ‘recuperam’ gays e outras ovelhas perdidas de volta ao caminho da luz. Drones vigiam a população e o governo prepara-se para, enfim, controlar tudo com mão de ferro após as eleições. Terroristas ateus, programadores de autômatos, imprensa alinhada à fé, um profeta de uma igreja, dirigido pela mão do altíssimo: todas as peças estão dispostas no tabuleiro, porém, quem sobreviverá ao grande confronto entre fé e poder?” – com previsão de publicação para janeiro/2016

– Filhos da guerra, romance de Pedro Viana:

“Guerras sempre me fascinaram, não pelo derramamento de sangue ou mesmo pelos armamentos usados em combate, mas pela ideia do que uma guerra faz com as pessoas. Dos muitos livros e filmes que li e assisti sobre o tema, sempre me fascinei por aqueles que abordam o drama pessoal em meio ao contexto cruel. ‘Filhos da Guerra’, o livro que estou trabalhando, é um space opera onde busco desenvolver mais o conflito interno dos personagens do que o que se desenvolve externamente a eles. São cinco personagens cujas histórias possuem inícios distintos, mas que de alguma maneira se unem durante a guerra.” – com previsão de publicação para março/2016

– Dissolução do finito poético, de Thiago da Silva Prada:

“Poesia e prosa. Este livro é uma dupla experiência de seu autor: o primeiro se refere a uma tentativa de síntese, de micro poesias, na busca de estancar uma hemorragia das palavras e atingir o ponto central com um rápido golpe, afinal, não seria o objetivo final do poeta, o silêncio? Tudo dizer para, enfim, nada mais dizer, o assombro do silêncio perante a vida? Da outra experiência, trata-se de, ao contrário, pelo lirismo do dia a dia, encontrar a esfera da vivência do cotidiano de todos nós, em micro contos, passando pelos diversos temas da vida, como o amor, solidão, velhice, para compor uma elegia da vida anônima e das pequenas coisas do cotidiano.” – com previsão de publicação para maio/2016

– Trajetória Vertical, de Marcelo Pietragalla:

“A poesia é indissociável do poeta. Como um ator, o autor recorta de suas experiências os fragmentos da alma dos versos, e estes compõem um retrato impreciso, esboçado em linhas tímidas, que sugerem o homem por atrás das palavras. Este homem não é o poeta. Como qualquer personagem dramático, as poesias evoluem e revelam nuances que transcendem o autor e constroem uma narrativa paralela em emoções exageradas. A trajetória cronológica das criações não importa, ela se embaralha e trança uma corda por onde o outro nasce, cresce e por fim morre. E a soma da obra se torna a arqueologia de alguém que nunca existiu.” – com previsão de publicação para maio/2016

– Nuances do vazio, de Marcelo Pietragalla e Thiago da Silva Prada:

“O livro é uma parceria entre os autores, com uma dupla produção: poética e fotográfica. A partir do tema do abandono, serão registradas em imagens ambientes que estejam abandonados, objetos e paisagens que tragam a desolação da dos ambientes, nos espaços esquecidos, coisas que são perdidas ou deixadas para trás, ambientes que um dia tiveram vida e agora somente habita o vazio. Com estas imagens, serão feitas poesias, tanto individualmente quanto às duas mãos, na composição para além da imagem, trazendo ideias, sentimentos e reflexões sobre aquilo que o olhar captou.” – com previsão de publicação para maio/2016

Aqui finalizamos então as propostas que temos para os próximos meses.

Sobre o site da Caligo: a partir de semana que vem, daremos continuidade aos textos publicados semanalmente. Temos quatro escritores fixos, mas outros autores colaboram esporadicamente com a coluna. Os textos sairão sempre às quartas-feiras e aos sábados. No final de semana, porém, o texto pode dar lugar a uma entrevista, conforme estamos esquematizando aqui. A Caligo está aberta a qualquer pessoa que queira publicar um texto que verse sobre escrita, leitura, livros, literatura, publicação etc.

Sobre a loja virtual: a partir da próxima semana a loja da Caligo contará com livros de outras casas de publicação e de autores independentes, com as mesmas facilidades de pagamento. Já começamos a dispor livros usados na página do nosso Sebo Virtual, e a partir da próxima semana faremos uma atualização, acrescentando novos títulos. Os livros podem ser comprados pela loja, mas também diretamente pelo email caligo@caligoeditora.com.br, com a possibilidade de promover descontos maiores e outras facilidades.

E é isso. Agradecemos por sua paciência, por ter acompanhado as postagens do “Retornando”. Continue acompanhando nossas postagens no site e na página do Facebook, continue prestigiando nossos autores. Até logo!

Bia Machado é a editora da Caligo. Trabalha como professora e revisora. Tenta escrever para que seus personagens não fiquem tão zangados com ela e não voltem para puxar seu pé de madrugada. Leitora voraz. Cinéfila frustrada. Se pudesse, faria outras coisas mais, mas para quem não tem sangue azul, nem sorte no jogo, isso já está bom, não dá para reclamar. Ou dá? Escreve (ou tenta escrever) no blog Vida e Etcétera a respeito de quase tudo, mas admite que acaba escrevendo mais sobre suas leituras. Contato: magiadaliteratura@gmail.com.

Retornando – Parte 3 – Cronograma para 2015

Por Bia Machado

É preciso planejar!

Buscando uma maior organização, estabelecemos um cronograma para as publicações do próximo ano. São vários os livros que pretendemos editar em 2015 e, diferente de 2014 em que publicamos cinco livros quase ao mesmo tempo – o que acarretou alguns problemas e exigiu demais de todos os envolvidos, mais ainda do que comumente é exigido -, o que pretendemos é dar um espaço de tempo entre um livro e outro. A meta é: um livro para a gráfica de cada vez. Só começar a trabalhar com uma publicação depois que todo o processo de pré-impressão do anterior estiver finalizado. Não quer dizer que tudo o que planejaremos acontecerá, de fato, da forma que estamos pensando. Mesmo trabalhando com um de cada vez, podem ocorrer atrasos. Mas a proposta é publicar mais livros, cada um a seu tempo, com a importância que merecem. Para que os leitores saibam um pouco sobre cada publicação futura, pedimos que cada autor escrevesse um parágrafo a respeito da obra.

– Resolver seu problema é uma questão de tempo para nós, de Bia Machado:

“Conforme divulgado no post anterior, trata-se de um livro de contos de ficção científica, alguns já conhecidos, mas revisados após sugestões dos leitores e outros inéditos. Com esse livro, fecho por um tempo a minha publicação de contos em livros físicos. Depois desse, por um tempo publicarei meus contos apenas em meio eletrônico, me dedicando mais aos romances, novelas e livros infantis.” – com previsão de publicação para janeiro/2015

– Pretérito Imperfeito, romance de Gustavo Araujo:

Pretérito Imperfeito é uma história sobre Toninho, um garoto de treze anos e de natureza singular, que prefere passar os dias observando passarinhos e refugiando-se, solitário, na clareira de um bosque nos limites da cidade. Também é sobre os dilemas de Cecília, uma menina inteligente que adora ler e escrever e que, ao lado da mãe, está confinada em sua própria casa, refém das atividades misteriosas em que seu pai está envolvido. Por fim, é a história de Pedro Vieira, pai de Toninho, desde a infância em um sítio no Rio Grande do Sul, até a paternidade tardia, redentora, talvez, de um passado que ele prefere deixar escondido em uma caixa no alto do armário. Pretérito Imperfeito entrelaça essas três realidades distorcendo tempo e espaço falando de amor. Do amor sofrido pela primeira vez. Do amor por livros e por escrever. Do amor entre pais e filhos. De redenção, de segundas chances. De reescrever o final da própria história.” – com previsão de publicação para março/2015

– Isso tudo é muito raro, de Fabio Shiva:

“Do mesmo autor de O Sincronicídio. Oito contos, oito pontos cardeais. Quatro pares de histórias-spin, opostas e complementares, quatro duplas de pólos semânticos. Nesse universo literário e simétrico gravitam os contos, diversos no estilo e na narrativa, semelhantes pela recorrência a temas dicotômicos, com abundantes referências literárias: encontros e desencontros amorosos, o êxtase e a agonia de escrever, o fantástico e o banal, o sagrado e o profano, o grotesco e o sublime, a criação e o fim do mundo. Isso tudo é muito raro.” – com previsão de publicação para abril/2015

– O Tratado Homeopático da Solidão, de José Geraldo Gouvêa: 

“A perda é um sentimento que pode construir ou demolir. Não importa tanto o que se perde, mas como escolhemos reagir ao buraco que fica na alma quando um pedaço dela nos é retirado. O Tratamento Homeopático da Solidão reúne histórias de pessoas que enfrentaram diversos tipos de subtrações e se salvaram, ou se perderam, pelas próprias forças ou por forças ocultas.” – com previsão de publicação para maio/2015

– Claro-Escuro, de Bia Machado:

“Uma novela, uma história de suspense narrada em primeira pessoa onde vamos conhecer Cleo (ou Cleonice, seu nome de batismo, do qual ela não gosta muito), uma mulher com muitos sonhos, como estudar pintura e ser uma artista reconhecida, mas sem muita coragem de realizá-los, presa a um cotidiano que não era bem o que ela imaginava para si. Também é a história de como ela descobre que há lugares desconhecidos em sua própria alma, os lugares escuros em meio aos tons claros da razão.”  com previsão de publicação para junho/2015

– Da noite sem fim – poéticas das tristezas e assombros, de Thiago da Silva Prada:

“Poesia. Sabe-se que a noite é a mãe de todos os medos, nela surgem nossos fantasmas, dores e pensamentos, que nos possuem ao longo de horas, sobre nossa existência, seu sentido ou ausência dele. Na noite atravessamos a nossa vida, revivendo momentos, projetando futuro, vendo a ruínas de sonhos ou vislumbrando a dança de outras alvoradas esperançosas. Este livro não trata de um exorcismo de seu autor, mas de um convite em comum para um mergulho no escuro, das dores comuns, angústias compartilhadas e dos pensamentos que brotam e dos quais nos alimentamos para vivermos adiante.” – com previsão de publicação para agosto/2015

– Intersecção, romance de Felipe Holloway:

“Após acidente de carro, jovem operador de fotocopiadora tem a atividade cerebral alterada, passando a apresentar sintomas da hyperthymestic syndrome, ou síndrome de hipermemória adquirida. A angustiante disfunção que impede suas vítimas de esquecerem até a mais insignificante experiência vivenciada (das falas de um filme ruim à forma exata de uma nuvem vista há dezenove dias) manifesta-se, em Lucas, mesmo durante o sono. Além de torná-lo um expert em ter sonhos lúcidos — por lembrar-se de cenários e rostos que se alteram subitamente, reconhecendo no ato a irrealidade daquele mundo e controlando-o como quiser —, a hiperatividade neural o ajuda a recordar com exatidão os traços faciais outrora fugidios de uma desconhecida que aparece em seus sonhos desde a adolescência. Certa noite, após despertar de outro estranho encontro com a mulher, ele esboça um desenho de seu rosto e o publica no próprio blog. Dias depois, assombra-se ao constatar que seis pessoas de diferentes partes do país haviam, independentemente, comentado sua publicação, solicitando a identidade da moça desenhada e afirmando tratar-se de uma figura recorrente em seus próprios sonhos.” – com previsão de publicação para setembro/2015

– Eu e os fantasmas – uma biografia autorizada de Luci Matsui, infanto juvenil de Bia Machado:

“Lúcia é uma menina que convive tranquilamente com alguns fantasmas que não quiseram ir embora da casa que a família dela comprou. Já com o pai e a madrasta, a convivência nunca foi tão tranquila assim…” – com previsão de publicação para outubro/2015

– Homicídios Manchados de Rosa, de Thais Lemes Pereira:

Romance fix-up, onde cada capítulo é um conto, com trama independente, mas que possuem um fio condutor entre si. Os personagens dessa história, bem conhecidos do público em geral, terão como característica principal sua descaracterização, ou seja: a quebra dos seus arquétipos. Dissolvendo tudo o que os torna formatadores de opinião – essencialmente na infância – e desaparecendo com as qualidades que os fazem agradáveis. Talvez o leitor mais atento se identifique com algumas situações apresentadas, pois o enredo contextualiza com a vida; de uma forma crua e abstrusa, sutilmente temperada de magia. No desfecho, todas as narrativas se reunirão em um final tão surpreendente quanto a chamada “Era uma vez…”. – com previsão de publicação para novembro/2015

– Escritores perguntam, escritores respondem – a nova literatura brasileira em debate, organização de Fabio Shiva:

“Doze escritores dos mais diversos estilos e tendências, cada um de seu canto do Brasil, reunidos para trocar ideias sobre a arte e o ofício de escrever. O resultado é um bate-papo divertido e muito sério, que instiga o leitor a participar ativamente da reflexão coletiva, investigando junto com os autores os bastidores da literatura moderna. Um livro único e atual, recomendado para todos que amam livros.”

Quanto à previsão de publicação deste livro: preferimos não estipular. Como são doze autores, os imprevistos costumam ser maiores. Buscaremos a publicação no primeiro semestre do ano.

E como essa postagem ficou extensa demais, como imaginamos deixaremos o outro assunto a respeito das novidades no site da Caligo para a quinta-feira.

– Fique ligado:

Parte 4 (quinta-feira, 02/10) – Cronograma para os primeiros meses de 2016 – Novidades na loja virtual da Caligo – Sobre a coluna e outras novidades no site.

Até lá! 😉

Bia Machado é a editora da Caligo. Trabalha como professora e revisora. Tenta escrever para que seus personagens não fiquem tão zangados com ela e não voltem para puxar seu pé de madrugada. Leitora voraz. Cinéfila frustrada. Se pudesse, faria outras coisas mais, mas para quem não tem sangue azul, nem sorte no jogo, isso já está bom, não dá para reclamar. Ou dá? Escreve (ou tenta escrever) no blog Vida e Etcétera a respeito de quase tudo, mas admite que acaba escrevendo mais sobre suas leituras. Contato: magiadaliteratura@gmail.com.

Retornando – Parte 2 – Ainda em 2014/ Publicação de e-books

Por Bia Machado

E o que temos para 2014 ainda?

Nas publicações físicas, o volume 2 da Coleção Manteiga Voadora, de livros infanto juvenis, “Esperando por Joaquim Cortez”. Um conto meu que foi alongado e será publicado ainda em outubro, com lançamento já marcado para o dia 31/10, em Campo Grande-MS. As ilustrações da capa e do miolo são de Beatriz Machado Henrique. Fico feliz de poder transformar esta história em livro, pois já trabalho com ela em sala de aula. A indicação de idade é para acima de 9 anos.

Também teremos como publicação física o livro de contos “Certa Estranheza”, com contos de minha autoria. Este livro já foi publicado há alguns anos, mas fiz uma tiragem pequena, bem pequena e, desde que os exemplares acabaram, muitas pessoas têm me pedido para fazer nova tiragem. Então resolvi atender a esse pessoal, e essa oportunidade surge também para melhorar a edição anterior, que infelizmente não foi impressa de forma decente pela gráfica contratada… Não será a mesma quantidade de contos, nem serão exatamente os mesmos contos. Estamos fazendo uma revisão e, em minha opinião, há alguns contos dos quais não gosto tanto hoje em dia e optei por colocar alguns inéditos que estou terminando de revisar. Dessa forma, o outro livro de contos, com o título “Resolver seu problema é uma questão de tempo para nós” deve ficar para o primeiro semestre de 2015, mas aí é notícia para outro post.

Além dessas publicações, nos voltaremos nos últimos dois meses para a edição de e-books. Em novembro lançaremos os primeiros títulos, de contos avulsos de autores nacionais – o edital para seleção sairá nas próximas semanas – e de textos traduzidos. Temos também a coletânea dos contos que se destacaram no Desafio Entre Contos. Quanto aos livros físicos já lançados, é nossa intenção de, aos poucos, passá-los todos para o mesmo formato.

– Fique ligado nos próximos posts:

Parte 3 (terça-feira, 30/09) – Cronograma para 2015 – sobre a coluna Caligo e outras novidades no site;

Parte 4 (quinta-feira, 02/10) – Cronograma para os primeiros meses de 2016 – Novidades na loja virtual da Caligo.

Até amanhã! 😉

Bia Machado é a editora da Caligo. Trabalha como professora e revisora. Tenta escrever para que seus personagens não fiquem tão zangados com ela e não voltem para puxar seu pé de madrugada. Leitora voraz. Cinéfila frustrada. Se pudesse, faria outras coisas mais, mas para quem não tem sangue azul, nem sorte no jogo, isso já está bom, não dá para reclamar. Ou dá? Escreve (ou tenta escrever) no blog Vida e Etcétera a respeito de quase tudo, mas admite que acaba escrevendo mais sobre suas leituras. Contato: magiadaliteratura@gmail.com.

Retornando – Parte 1

Por Bia Machado

Dizem que tenho uma máquina do tempo, e que com ela consigo dar conta de tudo. Pois bem, isso é uma falácia, e das grandes. Quem dera.

Finalmente, voltando com as atualizações do site!

Esse mês de setembro pode ser resumido em uma palavra: correria. Não que os outros não tenham sido. E, aliás, o mês de agosto foi muito mais, com quatro livros sendo trabalhados ao mesmo tempo, mas em setembro o cansaço bateu para esta pessoa que vos escreve. E se eu não tivesse o apoio dos autores que participaram do lançamento no Rio de Janeiro, dia 19/09, não teria dado conta.

Para retomar as atualizações do site, resolvi fazer uma série de posts (quatro, no total), a respeito do que vem por aí na Caligo, a serem publicados durante essa semana. É engraçado como as coisas vão surgindo, do nada e, por sermos uma editora pequena ainda, ficamos com bastante receio a respeito: daremos conta? E o desafio, na verdade, não é dar conta, não apenas isso. Mas fazermos as coisas de uma forma que não fiquemos sobrecarregados, fazendo a qualidade do trabalho decair, pois é justamente o contrário disso que queremos.

Sabemos que erros acontecem. Mas em uma editora, os erros podem se tornar mais recorrentes se não planejamos, ou se assumimos mais responsabilidades do que podemos assumir. Dizem que tenho uma máquina do tempo, e que com ela consigo dar conta de tudo. Pois bem, isso é uma falácia, e das grandes. Quem dera. A verdade, porém, é que preciso dar conta de tudo: ser mãe, esposa e professora, que é a profissão que escolhi de livre e espontânea vontade, por gosto mesmo, para que me sustentasse, a mim e aos meus planos. E também quero dar conta de ser leitora e estudante, pois quando não sou, essas coisas me fazem falta. E, finalmente, quero dar conta de continuar escrevendo os meus textos e fazendo com que a Caligo publique os autores dos quais gosto tanto e tenho plena certeza de que merecem ser publicados. A Caligo ainda será uma livraria física e local de palestras e oficinas literárias, mas até chegarmos a isso há um longo caminho pela frente.

Parece que quero coisa demais… E aí é que entra o planejamento. Por causa dele, decidi estabelecer um cronograma das intenções da Caligo para esse final de 2014, para todo 2015 e até mesmo para o começo de 2016, a partir do que é possível fazermos. Parece muito tempo, mais de um ano! Esperamos cumprir tudo o que está planejado, embora saibamos que fatores intervenientes são algo normal, fazem parte da vida. Mas manter esse cronograma é nossa meta. E pensamos nele por vários motivos, entre eles o de trabalhar com um livro por vez, a fim de evitar falhas que possam surgir (como algumas que surgiram nos últimos lançamentos), não revisaremos e nem faremos diagramação de dois ou mais livros ao mesmo tempo. A meta é um por vez, atenção total. Só iniciaremos o trabalho com outro original após o anterior já ter sido enviado para a gráfica.

Avisando, então, dos assuntos dos próximos posts da série “Retornando”:

Parte 2 (segunda-feira, 29/09) – Ainda em 2014- publicação de e-books;

Parte 3 (terça-feira, 30/09) – Cronograma para 2015 – sobre a coluna Caligo e outras novidades no site;

Parte 4 (quinta-feira, 29/09) – Cronograma para os primeiros meses de 2016 – Novidades na loja virtual da Caligo.

Até segunda! 😉

Bia Machado é a editora da Caligo. Trabalha como professora e revisora. Tenta escrever para que seus personagens não fiquem tão zangados com ela e não voltem para puxar seu pé de madrugada. Leitora voraz. Cinéfila frustrada. Se pudesse, faria outras coisas mais, mas para quem não tem sangue azul, nem sorte no jogo, isso já está bom, não dá para reclamar. Ou dá? Escreve (ou tenta escrever) no blog Vida e Etcétera a respeito de quase tudo, mas admite que acaba escrevendo mais sobre suas leituras. Contato: magiadaliteratura@gmail.com.

Eu, uma editora com TPI

Por Bia Machado

Egg timer smashing open

Quando aceito essa brecha, a vozinha interior até fica contente comigo: “Boa menina”. E não perde a oportunidade de me alfinetar: “Que tal dormir mais cedo hoje?” Hum, aí já é pedir demais.

 

É muito bom trabalhar com livros. Falar sobre eles, planejar, pensar em capa, revisar, escrever (claro), mas confesso, sofro de TPI: Tensão Pré-Impressão. Sim, nesses dias em que quatro livros publicados pela Caligo estão indo para a gráfica, quase na deadline, tento dizer a mim mesma que há tempo de folga. Porém, costumo duvidar de minha própria vozinha interior, aquela coisa: confiar desconfiando! Juro que se a gráfica fosse aqui na cidade, eu iria todo santo dia até lá, perguntaria se, por acaso, assim como quem não quer nada,  eles não gostariam de uma ajudazinha, de alguma forma e… É, melhor mesmo que ela esteja em outro estado.

Assumo meus defeitos e minhas neuras. Sou superpreocupada com esse negócio de prazo. Talvez porque às vezes a procrastinação chega assolando todas as minhas vontades, ou quase todas. Sobrevivem a vontade de escrever, de ler, e sempre sobreviverá a de ficar ao lado das pessoas queridas. Hoje mesmo, eu querendo terminar a revisão do miolo de um dos livros e o sono – acumulado – não querendo me dar trégua. Marido me chama pra jantar, eu não respondo nada e ele diz: “Vai jantar depois, né? Quando terminar a última página”. Aquelas palavras fizeram com que eu despertasse de alguma forma. Chamei todo mundo para a mesa e ficamos lá, falando da vida, sem a menor culpa. E foi bom curtir isso, nessas últimas duas semanas o que mais fiz foi ficar distante deles, em momentos em que não deveria ficar. Ainda bem que eles conseguem abrir uma brecha nesse meu momento de TPI. Quando aceito essa brecha, a vozinha interior até fica contente comigo: “Boa menina”. E não perde a oportunidade de me alfinetar: “Que tal dormir mais cedo hoje?” Hum, aí já é pedir demais. Justo agora que uma ideia surgiu para o Desafio do EntreContos? Justo agora que estou querendo terminar as últimas páginas de uma leitura da qual estou gostando tanto?

Curioso é que na maior parte do tempo pareço estar tranquila, no mais absoluto controle: “Calma, tem tempo. Vai dar tudo certo. Tá no prazo ainda”. Até eu mesma quase acredito. Alguns podem dizer: “Mas tinha que ser assim mesmo, afinal é quase só você pra tudo”. Enquanto isso, chegam diariamente e-mails e e-mails de revisores, tradutores, capistas, todo mundo querendo trabalhar com a Caligo. É, mas ainda não dá, por um bom tempinho – não disse longo, mas bom, vejam a diferença – a Caligo ainda continuará nesse ritmo. Apesar de tudo, eu precisava sentir na pele esse desespero, loucura, insanidade toda que é lançar vários livros de uma vez só. Uma das mudanças para 2015 é repetir como um mantra o lema: “Um livro de cada vez”. Até porque não dá pra ter tranquilidade trabalhando com mais de um, ao mesmo tempo. Aliás, no próximo texto conto o que estou planejando para a Caligo 2015.

Deve haver alguma parte do cérebro que controla nossa vontade por querer fazer (quase) tudo ao mesmo tempo, e da melhor forma possível. Algo me diz que tenho um leve distúrbio nessa parte da anatomia. Bem, enquanto não encontram a cura (e sei lá se quererei ser curada…), vou tentando me controlar, mas não muito, para evitar uma reação alérgica. 😉

P.S.: Como puderam perceber, não foi hoje que dormi cedo.

É a editora da Caligo. Trabalha como professora e revisora. Tenta escrever para que seus personagens não fiquem tão zangados com ela e não voltem para puxar seu pé de madrugada. Leitora voraz. Cinéfila frustrada. Se pudesse, faria outras coisas mais, mas para quem não tem sangue azul, nem sorte no jogo, isso já está bom, não dá para reclamar. Ou dá? Escreve (ou tenta escrever) no blog Vida e Etcétera a respeito de quase tudo, mas admite que acaba escrevendo mais sobre suas leituras. Contato: magiadaliteratura@gmail.com.

A verdade sobre a capa

Por Gustavo Araujo

 Se o autor é desconhecido, então, uma capa bacana torna-se o grande diferencial. Faz, no fim, com que o livro seja alçado à estratosfera ou arremessado às profundezas das Marianas.

O clichê é mais surrado do que Judas em véspera de Páscoa: não se julga (ou não se compra) um livro pela capa. Sim, lindo. Um daqueles ensinamentos que todo mundo se apressa em declamar como uma verdade suprema e incontestável – até para soar artificialmente inteligente – mas que, na verdade, quase ninguém aplica. É o politicamente correto do universo literário. Admitir que se compra, sim, um livro por causa da capa é como confessar que se gosta de ouvir Fiuk.

Vou nessa maré. Não, não ouço Fiuk, mas compro livros pela capa. Às vezes dou sorte. O fato é que o apelo visual é o que destaca um livro dos demais. Se o autor é desconhecido, então, uma capa bacana torna-se o grande diferencial. Faz, no fim, com que o livro seja alçado à estratosfera ou arremessado às profundezas das Marianas. Claro, o fato de ser exposto na estante de lançamentos das grandes livrarias ajuda muito, mas tenho dúvidas se um livro desconhecido e com uma capa horrível seria comprado mesmo com essa vantagem de visualização.

Comigo aconteceu com “A Sombra do Vento”. Na época em que pouca gente havia falado de Carlos Ruiz Zafón, a capa em branco e preto que mostrava um homem de mãos dadas com um garoto – pai e filho – me chamou a atenção na mesma hora. Nem a sinopse precisei ler. Comprei por instinto.

capas

O mesmo aconteceu com os livros de Jon Krakauer (“No Ar Rarefeito” e “Na Natureza Selvagem”) e de Joe Simpson (“Tocando o Vazio”) – em ambos os casos, as fotos de montanhas chamam a atenção naturalmente. Também “A Estrada”, de Cormac McCarthy, assim como “Contato”, de Carl Sagan, e “Corações Sujos”, de Fernando Morais, sem falar de “Estrela Solitária” e “Carmen”, de Ruy Castro. Não posso deixar de citar “Trem Fantasma para a Estrela do Oriente”, de Paul Theroux, e a edição americana de “Do que eu falo quando falo de corrida”, de Haruki Murakami.

Agora, o contrário: livros ótimos, mas de capas horríveis. Só acabei lendo depois de convencido de que as narrativas eram inversamente proporcionais às capas. “Alta Fidelidade”, de Nick Hornby, “O Caçador de Pipas”, de Khaled Hosseini, e “O Último Lugar da Terra”, de Roland Huntford.

Outros, de capas deprimentes, que só comprei porque sabia que os autores eram bons, foram “Amar e Morrer”, de Eric Maria Remarque, publicado pela Itatiaia, “Como Deus Manda”, de Niccolò Ammaniti, e muitos dos livros de John Grisham.

Também há livros com capas excelentes, mas cujas histórias deixam (muito) a desejar. Para mim, encaixam-se nessa categoria “Correr”, de Jean Echenoz, que conta a vida do velocista Emil Zatopek, além de “Everest”, de Waldemar Niclevicz, “O Livreiro de Cabul”, de Asne Seierstad, e “Fawcett”, de Hermes Leal.

Atualmente, a moda é apelar para a simplicidade. Daí surgem as boas ideias de “A Culpa é das Estrelas”, de John Green, “Tudo se Ilumina”, de Jonathan Safran Foer, e até “Barba Ensopada de Sangue”, de Daniel Galera, e os livros de John Boyne (todos no mesmo estilo listrado de “O Menino do Pijama…”) onde se privilegiam os títulos, ou melhor, as letras que os compõem, em detrimento de desenhos ou de alguma foto. Vale mais o design.

O fato é que apesar da falsa-verdade que diz “não julgue um livro pela capa”, nenhum autor, nenhum editor em sã consciência despreza a capa da obra. Não é exagero dizer que assim como nas relações humanas, a aparência conta muito. É isso que decidirá se o livro merece ou não ser apanhado da estante. Tão importante quanto o título, a capa sintetiza o espírito da obra e por isso deve instigar o leitor, aguçar sua curiosidade, fazê-lo perguntar a si mesmo o que existe naquelas páginas todas.

Por isso, vamos deixar de hipocrisia, seja como autores, seja como leitores, e admitir, sem qualquer espécie de vergonha, que damos um valor enorme à capa.

Vamos dar asas à arte e à criatividade. Libertemo-nos.

Gustavo Araujo mora em Brasília-DF, com a esposa e as duas filhas. Administra o site Entre Contos. Participa com dois contos na Antologia “!”  e também é autor do livro “O Artilheiro”, publicado em 2013. Seu livro “Pretérito Imperfeito” será publicado pela Caligo em 2015.

Adeus, Orkut, onde quase tudo começou

Por Bia Machado

 

[…] é preciso aprender com críticas que sejam coerentes, e aprender a separar o coerente do incoerente, tendo a consciência de que qualquer rede social tem os seus defeitos. Foi o que sempre tentei fazer e recebi muitas opiniões e comentários valiosos.

Sim, o Orkut está dando adeus em definitivo, resta-lhe pouco tempo. Porém, quantas recordações ele vai deixar! Sou uma das pessoas que nunca vai esquecer essa rede social que me aproximou ainda mais dos livros, da escrita, da leitura, ainda mais do que eu já era próxima, por incrível que pareça. Já fiz backup das fotos, assim como já tinha feito da parte escrita. As lembranças, guardo na memória e sigo em contato com as amizades que sobrevivem ao seu término e que farei o possível para que perdurem.

Quando o Orkut começou, confesso que não dei muita bola. Os blogs e outros sites supriam minha vida virtual, mas é uma pena que, dessa época efervescente da blogosfera, poucas amizades (sim, virtuais, mas amigos) restaram. O que me levou  a entrar nessa rede social, então? Em primeiro lugar, as comunidades literárias! A primeira de todas: Agatha Christie Brasil. Finalmente eu podia conversar com alguém de fora do meu cotidiano sobre essa escritora que é uma das que mais admiro, coisa de infância mesmo. Encontrei comunidade sobre Stephen King, sobre Ficção Científica, de Amantes do Romance Policial, de Resenhas Literárias, de Contos Fantásticos, de Escritores Amadores, de Histórias e Contos de Terror. Claro que participava de outras que nada tinham a ver com esse universo, mas as que me marcaram foram aquelas em que a escrita, a leitura, os livros eram o foco. Elas alimentaram minha vontade de finalmente terminar algo que escrevi, fizeram com que eu perdesse a vergonha de mostrar meus escritos aos outros, e até mesmo de ser publicada. Uma coisa maravilhosa foi ter conhecido tantas pessoas, e ter mantido contato com elas até hoje, e espero que sempre, tantas pessoas com quem posso dividir essa paixão pelos livros, essa vontade de estar com eles, de trabalhar com eles. Feliz por terem passado para o lado real da minha vida, junto com a Caligo, pessoas como Fabio Shiva, Angélica Bernardino, Amadeu Jr. (o primeiro leitor beta), Cintya e Cláudio Veiga (o primeiro a criticar um texto meu de uma forma que fez com que eu me sentisse em plena final de um concurso literário, como faz até hoje), Vitor Toledo, Rubem Cabral, Fernando de Abreu Barreto, Marcelo Amado e Celly Borges, Teresa Fiore, Pedro Viana, Martha Angelo, Hosana Alves, Gustavo Araujo, Glaucia Fortes, e tantos outros, felizmente muitos!

Meus primeiros contos, de terror, foram publicados sob demanda, é verdade, mas esse foi o primeiro passo para eu entender como essa tal publicação podia acontecer e dela tirar minhas conclusões (que ficam para outro artigo). Foi durante os debates a respeito de livros, do mercado editorial, dos posts de chamadas para submissão de contos que a Caligo foi tomando forma. Sim, não nego e não sinto qualquer tipo de vergonha ao afirmar isso. Por quê? Por ter visto que era possível, sim, tentar. Por ter visto que as dificuldades são muitas, mas onde existe só facilidade nessa vida? Sempre considerei que tudo que vem fácil demais, não dá certo, não dá satisfação suficiente. Não foi o pensamento de que “puxa, vou ganhar dinheiro com essa coisa de fazer livro, tá na moda publicar sob demanda, tá fácil arrancar dinheiro de escritor que está louco pra publicar”, mas sim: “Ei, eu quero fazer isso, acho que consigo fazer e até melhor. E será bacana, será um desafio. E isso vai me trazer satisfação, nem que eu publique apenas um livro, vai ser muito bom poder ajudar um autor a realizar isso”, e outras (muitas) coisas mais.

Ou seja, o Orkut me mostrou um lado da produção editorial que eu, apenas leitora, nunca tinha me dado conta que existia, o lado das médias e pequenas editoras (e, por que não, dos autores independentes?) que trabalham muito, mas conseguem atingir seus objetivos. Para mim, na época, editoras eram grandes empresas, poderosas, com muito dinheiro para colocar um livro no mercado, imagine como autora! Jamais cogitara a ideia de enviar um manuscrito meu para qualquer uma dessas poderosas, para mim não haveria nunca uma chance. Claro que, de qualquer forma, independente do tamanho, há editoras e editorasmas a ideia de que trabalhar com livros não tendo a grana e o poder das grandes é totalmente possível, não é apenas pura ficção.

Participar por cerca de dois anos das comunidades Contos Fantásticos, da Histórias, Contos de Terror e da Eu Sou Escritor Amador principalmente me ajudaram com a parte de escrever sabendo que não seria apenas eu a leitora, mas que haveria outros leitores. Leitores que só chegariam ao final do seu texto, fragmentado em pequenos posts, se o enredo fosse realmente interessante. Leitores que, mesmo o texto sendo ruim, leriam até o final e nesse caso… Bem, é preciso aprender com críticas que sejam coerentes, e aprender a separar o coerente do incoerente, tendo a consciência de que qualquer rede social tem os seus defeitos. Foi o que sempre tentei fazer e recebi muitas opiniões e comentários valiosos. Hoje esse trabalho de escrita de contos de vários autores e comentários por meio de desafios mensais tem sido levado adiante por outros, como é o caso do nosso parceiro e também autor, Gustavo Araujo, com o site EntreContos.

Enfim, adeus, Orkut. Foi bom enquanto durou. A gente fica por aqui, dando continuidade a essa coisa que foi tão bacana, o suficiente para ficar marcado com tanta força, e tanto carinho.

É a editora da Caligo. Trabalha como professora e revisora. Tenta escrever para que seus personagens não fiquem tão zangados com ela e não voltem para puxar seu pé de madrugada. Leitora voraz. Cinéfila frustrada. Se pudesse, faria outras coisas mais, mas para quem não tem sangue azul, nem sorte no jogo, isso já está bom, não dá para reclamar. Ou dá? Escreve (ou tenta escrever) no blog Flor do Cotidiano a respeito de quase tudo, mas admite que acaba escrevendo mais sobre suas leituras. Contato: magiadaliteratura@gmail.com.

Post Scriptum: escrevi o livro, e agora?

 

Por Bia Machado

Duas, três pessoas atuando nessa parte de revisão ajudam a diminuir os erros, as pontas soltas. Ainda assim, falhas podem acontecer? Com certeza. Só que precisam ser evitadas ao máximo.

É quase inacreditável: depois de tanto tempo, de horas intermináveis em frente ao monitor, ou às vezes escrevendo em papel mesmo, perdendo o sono, deixando outras coisas de lado, finalmente eis o dia que parecia tão, tão distante: você coloca o ponto final na história que estava escrevendo. Sua obra está pronta.

Sinto informar que não é bem assim.

A não ser que esteja escrevendo para você mesmo, assim que o escritor dá por findo o seu trabalho de produção textual, há outras ações com relação ao original que tem em mãos. Há um longo caminho até que sua história seja publicada, mas neste artigo tratarei dos primeiros três passos por mim considerados após a finalização da parte que cabe apenas ao autor: a leitura beta, a leitura crítica e a preparação textual.

– Leitura beta: apesar de essa função poder ser feita durante a leitura crítica, não acho adequado e explico o motivo: o leitor beta, o primeiro leitor do livro depois do próprio autor, é aquele que não vai se preocupar com mais nada, a não ser ler, diferente do que um leitor crítico necessita fazer. Sim, ele vai ler o livro como se o tivesse comprado, para dizer exatamente o que sentiu com a leitura, como qualquer leitor poderia fazer, funciona como um termômetro para a história concebida. E para que isso aconteça, é importante que existam diversos leitores beta: homens, mulheres, de faixas etárias diferentes, com a intenção de analisar: que público sentirá mais afinidade pelo que escrevi? Meu texto agrada tanto a adolescentes quanto a adultos? Consigo cativar somente o público feminino, ou também o masculino? Se for um livro infantil, ou infanto-juvenil, por exemplo, quais faixas etárias se interessarão por ele? Definidos os betas, aconselho a fazer um contrato simples, ainda que o original já esteja registrado, para garantir futuras complicações, como o leitor sair comentando por aí sobre o seu livro, por exemplo. Você pode até pensar: mas se eu o escolhi como beta, é porque confio nele. Exatamente. Mas nunca se sabe do amanhã. Vai que… E aí outra questão: betas devem ser amigos ou familiares, pois seriam as pessoas em quem mais confio? Até que podem, mas é preciso exigir deles sinceridade e imparcialidade. Na dúvida sobre a franqueza, é melhor pedir que outros leiam. Há pessoas que cobram para fazer leitura beta, e se você recorre aos amigos e parentes apenas por questão de economia, cuidado: às vezes (muitas vezes) o barato sai caro. Pese tudo na balança e não jogue fora todo o seu trabalho de meses (ou anos) apenas por esse detalhe. E também há o beta contratado pela editora para esse fim.

Após essa etapa, o autor deve estar certo a respeito de o livro ser bom ou não para o público, e para qual (ou quais) deles. Se está ruim, ou se não está tão bom quanto poderia, já é possível fazer algumas alterações com base nas impressões desses primeiros leitores. Depois disso, quem entra em cena deve ser o leitor crítico.

– Leitura crítica: essa é a parte em que há um trabalho efetivo no sentido de direcionar o autor para as mudanças que se fazem necessárias no texto. É ele quem vai deixar de lado a leitura “por prazer”, “descompromissada” com a parte técnica, para se aprofundar justamente nessa questão, a técnica utilizada: como está a técnica narrativa? A voz do narrador está adequada? Os personagens estão bem desenvolvidos? Quais precisam de um trabalho mais consistente? Como os diálogos se apresentam? Há partes que não funcionam, que parecem não combinar com outras? Há falhas na sequência? Além de apontar essas questões, o leitor crítico precisa também auxiliar o autor com sugestões de como tudo isso pode ser trabalhado. E se um leitor beta tiver feito todo esse trabalho, na verdade ele deixou de ser beta, ele agiu como um leitor crítico. Nesse caso, acredito ser inadequado que essa parte do trabalho seja feita por um amigo querido ou pela prima fã de seus escritos. Procure um profissional confiável, que vai receber por isso. E exija um retorno com propriedade, que o deixe mais seguro quanto ao que deve ser feito posteriormente.

Depois dessa etapa, autor, mãos à obra novamente. Sim, aquela história de que escrever é 1% de inspiração e 99% de transpiração é totalmente verdade! A etapa seguinte é a de submeter o seu original a um preparador de texto.

– Preparação textual: é o profissional que deve detectar as falhas que não foram encontradas anteriormente. Reorganizar o que for preciso, eliminar também o que realmente não dá, revisar a parte de coesão e coerência. O preparador também precisa já formatar em um padrão editorial o texto trabalhado, o que não é necessário nas etapas anteriores. Com seu trabalho, o texto do autor deve ganhar um aspecto profissional. Quando o preparador de texto trabalha para apontar falhas em traduções, este trabalho costuma ser chamado de copidesque, mas às vezes essa distinção de termos não ocorre.

Tudo isso também depende de editora para editora. É comum o revisor fazer a leitura crítica e a preparação de texto. O bom é que mais de um profissional faça os dois últimos processos. Duas, três pessoas atuando nessa parte de revisão ajudam a diminuir os erros, as pontas soltas. Ainda assim, falhas podem acontecer? Com certeza. Só que precisam ser evitadas ao máximo.

No próximo Post Scriptum tecerei algumas considerações sobre o revisor de originais, aquele profissional grudado com o dicionário o dia inteiro, que faz juras de amor eternas à gramática. Ou quase. Até parece!

P.S.: Não tive tempo para pedir a alguém que revisasse esse meu texto. A quem se propôs a ser meu leitor beta, grata! 😉

É a editora da Caligo. Trabalha como professora e revisora. Tenta escrever para que seus personagens não fiquem tão zangados com ela e não voltem para puxar seu pé de madrugada. Leitora voraz. Cinéfila frustrada. Se pudesse, faria outras coisas mais, mas para quem não tem sangue azul, nem sorte no jogo, isso já está bom, não dá para reclamar. Ou dá? Escreve no blog Flor do Cotidiano quando sobra um tempinho… Contato: magiadaliteratura@gmail.com.